André Giusti - foto: Luana Lleras
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Prevenir e se posicionar

1. No cenário macabro e caótico do Brasil na atualidade, usar máscara, lavar as mãos, manter distanciamento, só sair de casa se não houver jeito, evitar local fechado e cumprir todo o resto da cartilha não é apenas um gesto de prevenção, de atenção à saúde: é também um ato de protesto e de posicionamento [...]

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1. No cenário macabro e caótico do Brasil na atualidade, usar máscara, lavar as mãos, manter distanciamento, só sair de casa se não houver jeito, evitar local fechado e cumprir todo o resto da cartilha não é apenas um gesto de prevenção, de atenção à saúde: é também um ato de protesto e de posicionamento político contra “tudo o que está aí” (eles não adoravam essa frase? pois tomem ela de volta).

2. É claro que o cidadão médio, de outras partes do país, não tem muito a fazer neste momento em relação ao que acontece em Manaus, mas talvez fosse o caso de não postarmos durante três dias nossas fotos de comida, família sorrindo, cervejinha gelada, taças de vinho, o gato dando pirueta, o cachorro pulando amarelinha.

É uma forma de mostrarmos respeito à dor e ao desespero de quem morreu – e de suas famílias – sem conseguir respirar, em cima de uma cama de hospital, como afogados longe do mar.

3. Nos últimos tempos tenho questionado algo de que sempre achei o máximo nesse país: a unificação que possibilitou sua grandeza territorial.

Me pergunto se o Amazonas, por exemplo, fosse um país, se seu povo não viveria com mais dignidade.

Grandeza pra que, se a gente nunca conseguiu cuidar dela.

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