André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Sobre Ferraris, Shelbys, ônibus e metrô

Possuo uma característica típica do brasileiro mediano, aguçada, quem sabe, pela ascendência italiana: sou apaixonado por automóvel, não nego. Acelerar numa estrada, domar suas curvas é, certamente, um dos maiores prazeres que tenho. Dirigir numa rodovia me economiza o dinheiro de umas três sessões de terapia. De uns tempos para cá, no entanto, passei a [...]

Possuo uma característica típica do brasileiro mediano, aguçada, quem sabe, pela ascendência italiana: sou apaixonado por automóvel, não nego.

Acelerar numa estrada, domar suas curvas é, certamente, um dos maiores prazeres que tenho. Dirigir numa rodovia me economiza o dinheiro de umas três sessões de terapia.

De uns tempos para cá, no entanto, passei a conceber o automóvel como um objeto de arte, um vinho francês de pequena produção ou um chocolate artesanal, que precisam ser poupados da pressa diária das refeições, pois devem estar reservados para inesquecíveis noites de sábado e vagarosas tardes de almoço de domingo.

Portanto, do mesmo modo que me dá tédio essa massa uniforme de vinhos sul americanos e bombons de caixa de papelão – embora sejam o que está à altura do meu salário -, me enfadam também essas casquinhas de ovo de 1000cc ou a ausência de graça e charme desses modelos asiáticos, todos basicamente com os mesmos desenhos e aparência.

O que me comove são os carros esportivos; se forem antigos, então, mais comovido ficarei. Ser dono de uma Ferrari GTO 1962 ou de um Ford Shelby Cobra (fotos) da mesma época certamente povoam o terreno de meus sonhos mais ardentes. E também mais improváveis de serem realizados.

Mas meu sonho de locomoção vai um pouco – nem tanto – mais além, embora esta última parte, apesar de pequena, pareça ser ainda mais difícil de ser concretizada: viver num país e numa cidade em que eu possa, de segunda a sexta, deixar o carro – ou obra de arte – na garagem e ir trabalhar e voltar para casa de ônibus ou metrô decentes.
Ferrari_250_GTO_34_2
shelby-cobra-5

Tags:

Gostou, compartilhe:

Comentários (3)

  1. André Giusti Autor do post -

    Obrigado, Cláudia! É uma prazer tê-la como leitora.

  2. curtidas instagram -

    Muito bom o post amei vou sempre visitar seu blog !!

  3. João Guilherme -

    Giusti…..bem colocada essa sua posição! Acredito que quando chegamos numa determinada fase de nossas vidas (pelo menos pra aqueles que sempre foram apaixonados por carros) começamos a dar valor…repito..dar valor mesmo….a certos prazeres que ninguém pode nos tirar…entre eles o de dirigir!!!!
    Até bem pouco tempo comprava um automóvel e já pensando qdo poderia trocá-lo…..logicamente dentro de minhas possibilidades financeiras! Hoje…com 54 anos….com meu último carro ano 2010 atualmente com quase 100.000 km (japonês…meu sonho de consumo naquele ano) nem sonho em substituí-lo….pois com todas as manutenções absolutamente em dia parece que saiu da concessionária ontem!!
    Penso sim em continuar embelezando minha garagem (e meu ego!!!) com outros sonhos e prazeres!!
    Desde 2009 tenho uma Puma GTS 1974 (com algumas modificações como motor injetado) e mais recentemente adquiri uma GTE 1973 (Tubarão) absolutamente original (placa preta)!!!
    O prazer que sinto….seja rodando ou dando um trato nelas é insubstituível!!!!
    Abs

Deixe o seu comentário!