André Giusti - foto: Luana Lleras
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The Post: uma aula de conduta do jornalista

Na minha vida profissional trabalhei com alguns colegas que sempre se mostraram preocupados em demasia com os interesses comerciais e políticos das empresas em que trabalhavam. Quando uma matéria tinha sinais de que poderia incomodar relações prezadas pelos patrões, ainda antes de ela ser fechada o sujeito já estava cheio de dedos, refugando na hora [...]

Adoro Cinema

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Na minha vida profissional trabalhei com alguns colegas que sempre se mostraram preocupados em demasia com os interesses comerciais e políticos das empresas em que trabalhavam.

Quando uma matéria tinha sinais de que poderia incomodar relações prezadas pelos patrões, ainda antes de ela ser fechada o sujeito já estava cheio de dedos, refugando na hora de escrever o que sabia e o que era importante dar conhecimento à sociedade, o principal cliente de um veículo de comunicação.

Ben Bradlee, personagem de Tom Hanks no excelente The Post – A Guerra Secreta, é o editor chefe do Washington Post e seu (único) compromisso é com a informação no caso do vazamento de um relatório secreto do governo americano sobre a guerra do Vietnam.

Em duas horas de filme, Bradlee enfrenta pressões principalmente dentro do próprio jornal para não dar conhecimento ao povo americano da notícia que é nitroglicerina pura.

Em certo momento do filme, me lembrei de um rapaz, de futuro promissor na profissão, que chegou certa vez para mim na redação com um belo exemplo daquilo que chamamos furo de reportagem.

Titubeante, sua preocupação maior era se haveria represália quando a matéria fosse ao ar. Respondi que na emissora havia gente que ganhava bem mais do que ele para se preocupar com isso, e que seu papel ali, naquela hora, era gravar a matéria e entregar ao editor.

Pois Ben Bradlee, a partir de experiências anteriores do personagem, torna-se exemplo a ser seguido por alguns colegas que, infelizmente, se acham mais realistas do que o rei e se arvoram em defender interesses que na verdade nem sabem se são realmente de quem os emprega.

E se forem, a preocupação é justamente do patrão.

A nossa é com a notícia.

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