André Giusti - foto: Luana Lleras
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Torcedor, esse pobre de espírito atrasado emocionalmente

Não enxergo despautério maior do que sofrer por causa de um time de futebol. Quanta energia desprende o ser humano, em sua existência de finitude inexorável, em se abalar por causa de 22 sujeitos tentando domar os caprichos de uma bola. Quanto dessa energia poderia ser empregado por ele em algo que o melhorasse como [...]

Torcedor

Não enxergo despautério maior do que sofrer por causa de um time de futebol.

Quanta energia desprende o ser humano, em sua existência de finitude inexorável, em se abalar por causa de 22 sujeitos tentando domar os caprichos de uma bola. Quanto dessa energia poderia ser empregado por ele em algo que o melhorasse como pessoa e, por conseguinte, melhorasse também a vida ao redor de si.

Qual propósito em atravessar os dias que antecedem uma final de campeonato em estado de angústia permanente? Enquanto mastiga dentro do peito esse sentimento opressivo, o homem não percebe as dádivas que a natureza o oferece desde os primeiros minutos da aurora às estrelas distantes da noite.

Tudo por causa do futebol.

Que pobreza espiritual enxergar em detalhes bestas sinais de que há conspiração favorável ou contrária a seu time no dia da peleja decisiva. Que influência terá no resultado mudar o local de assistir ao jogo ou vestir uma roupa diferente daquela que se trajou na última vitória?

Quanto atraso emocional no grito enlouquecido na janela, acordando a vizinhança no início da madrugada, na hora que o juiz apitou o fim do embate por um troféu que ele, torcedor, nem sequer verá de perto. Nenhuma diferença fará em sua vida o time A, B ou C levantar a taça.



(Meu Deus! Como sou pobre de espírito e atrasado emocionalmente!)

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