André Giusti - foto: Luana Lleras
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Voando pela Noite (até de manhã) e Eu nunca fecharei a porta da geladeira com o pé em Brasília estão no meu site.

Demorou um pouco, mas finalmente já é possível baixar meu primeiro e terceiro livros em meu site, cujo acesso pode ser feito na página desse blog. Voando pela noite (até de manhã) foi publicado em 1996 pela mesma 7Letras que lançou A solidão do livro emprestado (2003) e A liberdade é amarela e conversível (2009). [...]

Demorou um pouco, mas finalmente já é possível baixar meu primeiro e terceiro livros em meu site, cujo acesso pode ser feito na página desse blog.

Voando pela noite (até de manhã) foi publicado em 1996 pela mesma 7Letras que lançou A solidão do livro emprestado (2003) e A liberdade é amarela e conversível (2009). Na época, a editora ainda se chamava Sette Letras, e o Jorge Viveiros de Castro decidiu bancar a estréia de um contista de 28 anos, sem qualquer penetração no meio literário, como publicações em revistas ou suplementos.

Os dez contos que compôem o livro foram escritos entre 1991 e 1994. O mais antigo deles, A história triste de Hans & Alice, me veio à cabeça depois de uma reportagem policial em tórrido sábado de plantão no Rio. O texto foi parar na gaveta, de onde só saiu dois anos depois, quando me decidi realmente pela prosa, e mais especificamente pelo conto, deixando em segundo plano anos e anos como poeta sem tanto brilho. Ao menos nunca tive muita pretensão com a poesia.

Numa noite de sexta-feira, no fim do verão de 1993, quando um temporal deixou o Rio debaixo d’água, as primeiras situações do conto Alagados começaram a me roubar o sono. Eu já apagara a luz e tentava dormir. O problema é que aqueles personagens quase se materializaram ao lado de minha cama para me fazerem levantar. Conseguiram. Sentei à máquina (lembram que em 93 pouca gente tinha computador em casa?) e fui até às cinco da manhã. Mais dois ou três dias trabalhando no mesmo ritmo, e estava pronta a primeira história de amor que escrevi na vida, e que até hoje deixa assim assim corações enamorados.

Os meses seguintes também foram de trabalho intenso, madrugadas debruçadas sobre a velha Olivetti Praxis 20 (eletrônica) dando asas àquela experiência fascinante de conceder a vida a personagens em situações criadas a partir da imaginação ou da observação atenta do dia-a-dia. Muitas dessas situações queria eu ter vivido. Não consegui, mas escrevi.

O conto que dá título ao livro e que encerra o volume foi escrito em madrugadas afogadas em café e nubladas de fumaça de cigarro. De fundo, Acthung Baby, do U2, disco que tão bem define os anos 90. Para descansar, botava o disco (vinil, ainda), ouvia-o freneticamente, e voltava para a máquina. Quando raramente volto a ler esse conto, nos momentos de maior solidão do personagem principal, em minha cabeça volta a tocar One, a mais bela canção daquela década que já se distancia no tempo.

Voando pela noite (até de manhã) é um livro sobre solidão masculina e falta / procura de amor, tendo como cenário a noite encerrada em bares ou no carro, cortando a cidade, de volta pra casa pra fazer dormir o desespero, o vazio de às vezes ser jovem. Algumas histórias destoam desse contexto e roubam um pouco da unidade do livro. São os casos de Estressado e da própria tragédia de Hans & Alice, que entraram por causa de sentimentalismo de autor inciante, aliado a uma certa falta de critério editorial.

No site estão simplesmente a capa e os textos. Créditos, dedicatórias e epígrafes não entraram, pois o arquivo do livro, muito antigo, foi perdido na editora e esses detalhes não foram reproduzidos na nova digitação que precisou ser feita. Também não está no site o conto Ângela Sauer. É uma história de violência gratuita, sem sentido para a minha cabeça hoje, escrita na época por um autor (como tantos outros ainda atualmente) convicto de que escrever bem e causar impacto com literaturta, só imitando Rubem Fonseca.

O livro foi finalista do Prêmio Jabuti em 1997. Está esgotado, sem muita possibilidade de uma nova edição.

Amanhã escrevo sobre Eu nunca fecharei a porta da geladeria com o pé em Brasília, uma visão forasteira da capital do país.

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