André Giusti - foto: Luana Lleras
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Penso que no fundo, no fundo a data é mais um pretexto para bebermos e comermos desmesuradamente. É tão somente um dia no calendário, muito pouco para ser marco inicial de alguma mudança. Esta, se quisermos, poderá acontecer em alguma quarta-feira de maio ou agosto, antes ou pouco depois do almoço. Prefere outubro? Março? Fique [...]

Penso que no fundo, no fundo a data é mais um pretexto para bebermos e comermos desmesuradamente.

É tão somente um dia no calendário, muito pouco para ser marco inicial de alguma mudança.

Esta, se quisermos, poderá acontecer em alguma quarta-feira de maio ou agosto, antes ou pouco depois do almoço. Prefere outubro? Março? Fique à vontade.

O que se encerra hoje é apenas mais um ciclo da Terra em volta do Sol. As datas dos nossos ciclos dependem da nossa percepção em relação ao início, final e continuidade deles, e isso não se atrela a calendários.

Hoje, à meia-noite, ninguém lá em cima, ou sei lá onde, vai virar uma chave pra mudar tua vida. Nessa chave é você quem mexe. Ou sua própria vida, a hora em que ela achar que algo já te basta. Em qualquer dos doze meses do ano.

Mas eu sou mais otimista do que realmente pareço.

Se toda essa onda de felicitações (quando até quem passou o ano inteiro sem te dar um alô manda aquela mensagem standart com aquele vídeo fofo de 12 minutos) te motiva a ser melhor, ótimo! Aproveite, feito o surfista que se lança na onda subindo no mar bravo.

Que teu desejo de ser melhor sobreviva, amanhã, à cabeça pesada e ao estômago virado.

Ressaca
*
Neste ano da graça de 2018, devo chegar aos 50 mil km rodados.

Em meu caso, a meia idade me trouxe paciência. Mas também intolerância.

Hoje sou compreensivo, benevolente, tolerante com coisas que me tiravam do juízo 20, 30 anos atrás.

Por outro lado, não aceito nas pessoas procedimentos que relevava no passado.

Na verdade, sou ainda o mesmo, ainda alternando tolerância e irritação, apenas mudei móveis de lugar.

O que me atingia não me move mais. O que eu fingia não ver pra não esquentar a cabeça, hoje me agride.

Como estará essa mobília daqui a dez anos, se eu ainda vestir este corpo de carne e ossos?
*
Ah! Feliz ano novo!

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