André Giusti - foto: Luana Lleras
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A felicidade é uma salada verde

Não sou nenhum consultor na área, não tenho  formação em psicologia ou em qualquer outro campo da saúde mental, mas tenho uma vidinha que se aproxima do meio século de existência de um modo mais rápido do que eu gostaria. A partir disso, é possível falar que um dos grandes progressos no campo emocional é [...]

Não sou nenhum consultor na área, não tenho  formação em psicologia ou em qualquer outro campo da saúde mental, mas tenho uma vidinha que se aproxima do meio século de existência de um modo mais rápido do que eu gostaria.

A partir disso, é possível falar que um dos grandes progressos no campo emocional é quando nos damos conta de que não precisamos realmente de ninguém para sermos felizes. Precisamos sim de companhia: namoradas (os), amigos e bons colegas de trabalho, dada a nossa condição de seres por natureza sociáveis. Mas atenção! Não confunda essa querência (justa, inclusive) de boa companhia para o desfrute de bons momentos nos vários níveis da convivência humana com o falso papel – e responsabilidade – de outrem em nossa felicidade.

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Essa carga que colocamos no ombro do alheio é a grande esparrela em que caímos quando estamos apaixonados.

Paixão é cortina de fumaça que muitas vezes encobre defeitos e desvios de conduta e caráter. E como é fumaça, o vento acaba levando em algum momento.

Aí, tomado o tombo da realidade, o objeto da paixão pode, não raro, ficar em nossa mente como aquela comida que nos fez passar a noite em claro, sentindo as forças se esvaírem em vômitos, perturbando a madrugada em paz dos vizinhos. Sabe aquele cachorro quente em óleo velho que um dia você comeu voltando pra casa da balada? Pois é.

Mas quando a gente sabe que ninguém, além de nós mesmos, tem a senha do cofre da nossa felicidade, a gente namora, transa e sai com os amigos como alguém que comeu uma deliciosa salada verde com verduras frescas e um filé de tilápia grelhado com ervas finas.

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Comentário (1)

  1. Ana Maria -

    Esse seu texto, muito lúcido por sinal, me remete ao poema “Borboletas” do Mário Quintana: não precisamos de ninguém pra sermos felizes, precisamos é cuidar do nosso jardim pra atrair as borboletas, não as que nós estávamos procurando, mas aquelas que estavam procurando por nós…

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