André Giusti - foto: Luana Lleras
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Blog isyBuy | Gestão de restaurantes - isyBuy

Blog isyBuy | Gestão de restaurantes – isyBuy

*Este artigo se aplica a muitas outras cidades brasileiras

O atendimento no comércio em Brasília tem melhorado nos últimos anos.

Atualmente é apenas ruim.

Agora há pouco fui tomar café na Kopenhagen do Conjunto Nacional. Bato ponto lá de dois a três dias na semana. Minha cara, portanto, não é exatamente uma novidade para as atendentes.

Aproveitando que uma delas passava pela mesa, pedi um café. E ouvi: o pedido é feito no balcão, mas tudo bem, vou atender.

Levantei imediatamente e lá fui eu mesmo cumprir as normas da casa, porque, por mais que a própria atendente fizesse o pedido, o tom ríspido e de advertência com que ela se dirigiu a mim comprometeu a relação da loja com o cliente. Por pouco não me tira a vontade de tomar café.

No domingo de carnaval, caçava algum lugar aberto para tomar um belo espresso no fim de tarde. Uma das poucas opções abertas era a cafeteria da Belini, que fica do outro lado da tradicional padaria, na comercial da 114 sul.

Era melhor que estivesse fechada.

Na fachada, a afetada expressão em inglês coffee experience tenta impressionar o freguês, porque certamente o atendimento não conseguirá fazê-lo, não positivamente.

Perguntamos se seria possível pôr uma mesa perto do jardim.

A atendente, com uma expressão que notoriamente denunciava uma espécie de raiva – talvez a de trabalhar no domingo de carnaval – alegou que não dava e apontou algum problema no telhado da loja, não lembro ao certo.

Falamos algo do tipo “ah, mas é tão agradável aqui, perto do jardim”, mas dissemos muito mais por lamento do que por insistência, ao que ouvimos com espanto um inacreditável “se quiserem pôr a mesa aqui, a responsabilidade é de vocês”.

A culpa não é das funcionárias, creio eu, em que pese em uma ou outra a falta de talento nata para atender pessoas.

Penso que há por parte dos proprietários desses estabelecimentos, franquias ou não, excesso de zelo com o preparo do cardápio e a decoração do lugar, mas uma grande desatenção com o fator humano no que diz respeito a treinamento ou mesmo contratação de funcionários, o que na ponta da corda é a desatenção com o consumidor, simplesmente a razão de o comércio existir.

É claro, na cidade existem ilhas de ótimo atendimento (La Boutique e Ces’t si bon, por exemplo, ambos na Asa Norte), mas ser freguês em Brasília, no geral, ainda é uma bad, very bad experience.

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Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

Independentemente de culpa ou inocência, Lula foi o melhor presidente que vi governar esse país ao longo dos meus 50 mil Km rodados.

Dane-se se surfou na onda de comodities ou sei lá mais que outro termo de economês afetado.

Não há como uma sentença, justa ou injusta, mudar o passado.

Fez menos do que queríamos, do que dizia que faria e do que precisávamos.

Mas fez mais do que os outros, principalmente por quem precisava muito e vivia com menos do que migalhas.

Mudou, perante o mundo, a imagem de cachorro sarnento que o Brasil sempre teve, e que voltou a ter.

Por isso, sua prisão tem duas pontas, as duas, de tristeza.

Se há culpa, é a maior desilusão da vida política nacional.

Se não há, é desanimador comprovar que a nossa não democracia continua se vestindo de várias formas, inclusive com a toga da legalidade.

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Estupidez

Agora há pouco alguém postou na rede social conclamando as pessoas a espancarem um milico, como forma de fazer um bem à sociedade.

Ou seja, quando é contra o que eu não acredito e combato, a estupidez se justifica.

O discurso do ódio – e de incitação ao crime – vestido de liberdade de opinião só mudou o alvo.

A cegueira no país é grave.

Dos dois lados.

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Batom na cueca

Ao contrário de muitos conhecidos meus, não tenho qualquer segurança para erguer o braço e gritar “Lula é inocente!”.

Da mesma forma, estou longe da convicção de que o processo caminhou com o rigor jurídico necessário, elemento básico para que a Justiça seja feita.

Muita coisa me deixa confuso, desde a ausência do batom na cueca (chamado de prova cabal no juridiquês) no processo até o espetaculoso power point do promotor.

Na reta final, no Supremo, o ministro que era a favor vira contra; a ministra que era contra vira a favor.

E, por último, o juiz decreta a prisão mais rápido do que em qualquer outra situação da lava-jato.

Parabéns aos que possuem convicção nesta hora.

Minha única certeza é de que nunca senti nesse país um clima tão pesado e desfavorável à liberdade como agora.

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temer22

Em um primeiro momento, o silêncio (até agora) de Michel Temer sobre as declarações inoportunas do comandante do Exército acerca do julgamento de hoje no STF me lembraram da nulidade de José Sarney em seu último ano de governo.

Com a popularidade lá no dedão do pé, a exemplo do atual mandatário do país, Sarney não fedia nem cheirava para a nação. Uma declaração de Mailson da Nóbrega, então ministro da Fazenda, fazia muito mais eco na época.

Ainda num primeiro momento, a mudez de Temer me sugeriu medo mesmo, cagaço do falar grosso das fardas e coturnos.

Mas não, rapidamente mudei minha interpretação.

Acho que Temer mandou o ministro Raul Jungman, chefe da segurança na área federal, dar uma justificativa protocolar em nome do governo sobre essa tentativa de intimidação que partiu da esfera superior da caserna.

TCU-MichelTemer-RenanCalheiros-EliseuPadilha-RaimundoCarreiro-SergioLima-14dez2016

Tenho pra mim que o general mór falou com a anuência do Presidente da República, que é, inclusive, o chefe das Forças Armadas, como reza a própria Constituição que os militares dizem tanto fazer valer.

Anuência ou mesmo determinação, fazendo com que a tentativa de intimidação ao STF tenha na verdade origem em instâncias bem superiores aos quarteis.

Do contrário, que chefe admitiria uma declarações dessas sem dar um tapa na mesa e dizer em bom português “cala a boca que quem manda aqui sou eu!”

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Talvez Rosângela Vieira Rocha tenha deliberadamente optado por um texto não literário em O Indizível Sentido do Amor (Patuá, 2017).

Se realmente optou por esse caminho, acertou.

Reconheço que eu próprio teria feito diferente, pondo no local da narradora uma personagem na terceira pessoa para me distanciar dos fatos contados nas quase duzentas páginas do livro.

Mas a opção de Rosângela é claramente pelo relato pessoal, quase como alguém que escreve uma longa carta a uma amiga íntima, contando o que foi feito de sua vida nos últimos meses.

Em alguns trechos, me senti como se estivesse ao lado dela, viajando de ônibus, de trem, enquanto ouvia atento a história bonita que minha companheira de viagem tinha a contar.

É, e tem mais isso: é bonita a história de O Indizível Sentido do Amor.

Como, aliás, são todas as histórias que falam de um amor verdadeiro e eterno.

Recomendo.

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espertinho

1. Em reunião com secretários de estado, empresário do setor da construção civil de Brasília reclama do hospital paulista que para ampliar as instalações na capital do país contratou empresa de engenharia de São Paulo.

Sugere ao secretário responsável pelo conselho de governo que autorizou a liberação do empréstimo de mais de R$ 200 milhões que em casos assim deveria haver uma cláusula para o empréstimo obrigando a quem recebe o dinheiro contratar uma empresa de Brasília. E reclama que assim o dinheiro vai circular lá em São Paulo.

Quando o assunto é política de preços ou relação com o empregado, o empresário brasileiro prega o estado mínimo, enche a boca com o discurso “moderno” de que o mercado é que deve tocar o barco e que o governo deve ficar quietinho e não meter o dedo nessa cumbuca.

Mas, dependendo de onde está seu interesse, aí o estado não deve ser tão mínimo assim, e uma pitadinha generosa de protecionismo estatal lhe cai muito bem sim senhor.

Ronaldinho

2. Não é nem o caso de lembrar que a ligação de Ronaldinho Gaúcho com a política é zero para que ele se candidate logo ao Senado, câmara alta que, pela tradição, exige maturação pessoal e política do candidato.

Também acho desnecessário questionar qual a ligação do ex-jogador com Brasília e o Distrito Federal como um todo, para que ele tenha escolhido ser nosso representante, nós, moradores do DF.

Quantas vezes ele passou pela cidade na vida?

Acho que é suficiente lembrar apenas que o eleitor que confiar a ele seu voto é tão safado e sem vergonha quanto a escória que ocupa parte das cadeiras do parlamento na atualidade.

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Marcia Luz

Marcia Luz

Trate como gentileza o que é dever do outro.
Agradeça até mesmo quando um gesto não passa de obrigação da outra pessoa, como, por exemplo, o motorista que para na faixa de pedestre.

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Portal Terra

Portal Terra

Colega meu de profissão, jornalista de talento e experiência, observa de forma pertinente que não vale a pena o Jornal do Brasil voltar às bancas se for para fazer o mesmo feijão com arroz sem sal e sem refogado que anda sendo feito nas redações de seus antigos e agora novamente concorrentes.

O que se espera do novo JB é ao menos uma tentativa de honrar o que ele foi até a década de 80, e principalmente nas duas décadas que se seguiram à grande reforma do jornal no fim dos anos 50.

Só não concordo com meu colega quando ele diz que precisamos de um jornal de esquerda.

Jornal não é partido para ser de esquerda, centro ou direita.

A linha política de um jornal, e qualquer outro veículo de imprensa, tem que ser o interesse da sociedade, a informação sem rabo preso que ajude na construção de um país melhor do que este que moralmente cai aos pedaços.

Utopia? Não vejo outra maneira de a imprensa inspirar confiança na população.

A política de um jornal só pode ser a do “Pau que dá em Chico dá em Francisco”.

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Abaixo de zero

Leio tardiamente o grande sucesso de Bret Easton Ellis, livro que à época chegou a ser considerado O Apanhador no Campo de Centeio da minha geração.

Fiquei particularmente impressionado com a capacidade do autor de dizer sem falar, de deixar claro uma situação e um sentimento comum entre os personagens sem se referir objetivamente àquela ou a este.

Descrevendo uma sucessão de cenas e acontecimentos fúteis, mundanos, banais, Bret desnuda o vazio de viver de seus personagens, jovens bem nascidos no grand mond do cinema americano, mas o faz sem juízo de valor, sem dizer categoricamente “Que bosta de vida que essa gente leva”.

Isso é feito – e aí mora o grande barato do livro, diria até um pingo de genialidade literária – induzindo o leitor a ter uma quase certeza de que cada um dos personagens pensa – sem dizerem nem para si mesmos – que a vida deles realmente não possui sentido algum.

Além da futilidade e do vazio existencial, outro traço une todos que aparecem na história: a total ausência dos pais desses jovens.

Abaixo de Zero não tem o objetivo de entreter (embora seja livro difícil de largar) nem encantar pelo estilo literário (simples, sem elegância até).

Me parece ter um objetivo bem mais importante do que todos estes: nos manter permanentemente atentos com a utilidade que estamos dando às nossas vidas.

Recomendo.

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