André Giusti - foto: Luana Lleras
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Penso que um dos objetivos da arte, seja música, literatura, pintura, teatro, é transportar a gente para um outro lugar, mesmo que seja o nosso próprio lugar, para que entendamos melhor nossa condição. Hoje, ao deparar com essa tela em um mero corredor de um prédio em Copacabana, fui levado de imediato a esse local da tela. Queria dizer à ou ao artista, cuja identificação se resume às iniciais FW, que sua arte cumpriu esse objetivo: me transportou prum lugar de onde demorei a voltar.

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Na disputa pelo 3º lugar na Copa do Mundo deste ano, em determinado lance a Inglaterra chegou com perigo ao gol da Bélgica. Com perícia, o defensor tomou a bola na pequena área e deu início a um contra-ataque. Em apenas cinco toques o time belga chegou na cara do gol adversário, obrigando o goleiro inglês a um milagre.

Lembrei disso por que outro dia assisti à reprise de alguns lances dos amistosos da seleção de Neymar e demais mascarados. Parecia a reprise de todos os jogos dos últimos anos dessa camisa que um dia encantou o mundo: passes pro lado, pra trás, cruzamentos nas mãos do goleiro, carrinhos. Uma burocracia parecida com a que o cidadão comum enfrenta no serviço público para conseguir determinadas certidões.

Almanaque Cultural Brasileiro

Almanaque Cultural Brasileiro

E, agora, o Palmeiras é campeão. Ou deca, como se orgulham seus torcedores, que põem nessa conta, com a estranha chancela da mesma CBF que organiza a supracitada seleção burocrática, títulos de uma época em que o campeonato brasileiro só era disputado por clubes do Rio e São Paulo.

Antes de mais nada, parabéns ao Palmeiras pelo título deste ano. O time foi o mais eficaz em momentos decisivos e merece a conquista, mas – e agora me chamarão de flamenguista recalcado – penso que há algo realmente muito errado com nosso futebol quando o técnico do time campeão nacional – e, portanto, em tese o melhor time do país – é o mesmo técnico do maior vexame pelo qual uma seleção já passou na história das copas do mundo.

Os torcedores do Palmeiras (com o qual simpatizo, diga-se de passagem, por causa da origem italiana) têm todo o direito de comemorar.

Mas nosso futebol é um doente que pode estar se encaminhando pro estágio terminal.

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Malabares

É difícil determinar o que faz uma pessoa ser interessante, aquela que esconde e ao mesmo tempo deixa à mostra algum aspecto que nos cativa, mas que não conseguimos explicar exatamente o que é.

Ser cátedra, ter pós-doutorado na França, ser executivo de multinacional, líder reconhecido no mercado ou político influente faz o sujeito importante, mas não necessariamente interessante.

Também não é passaporte para ser interessante saber dos últimos lançamentos da Apple, da Samsung ou ter sido um dos primeiros a ir ao restaurante da moda, que forma dois quilômetros de fila na porta.

A bem da verdade é mais provável que pessoas assim despertem sonolência em vez de interesse.

Dessa forma, eliminando esses tipos, você se surpreende verificando que com quem gostaria de conversar por mais de 15 minutos é o uruguaio que veio para o Brasil cursar a escola de circo. Ele joga malabares no sinal em que você para todos os dias, e hoje a apresentação dele estava tão boa, mas tão boa, que você, batendo palmas dentro do carro, se desculpou sinceramente por não ter nenhum trocado, ao que ele, em bom portunhol, respondeu “não tem problema, seu aplauso foi meu melhor cachê do dia”.

Há também a balconista da farmácia, que certamente foi trabalhar enlatada num ônibus, mas que vende um antigripal com atenção e sorriso largo, e de quebra deseja de coração que você fique bem, que amanhã acorde melhor. E no dia seguinte, quando você passa, ela coincidentemente está na porta da loja e pergunta: O senhor se sente melhor?

Sem falar na loura tingida da casa lotérica, aquela em que você entrou aproveitando que não havia fila, para jogar, sem qualquer esperança, na mega sena. Ela apanha a nota que você pegou na carteira e diz que com o troco dá pra jogar na quina que corre à noite e, quem sabe, ganhar um milhão. “Aí, o senhor volta aqui e me dá um presente”, e pisca o olho, divertida, misturando malícia e pureza. E ela faz isso de um jeito tão alegre que você promete a você mesmo que se ficar milionário vai comprar um mimo pra ela.

E pra balconista.

E dar um belo cachê pro uruguaio.

Porque cada um, a seu modo, fez ao menos cinco minutos da sua vida serem um pouco melhores e mais divertidos.
*
Do livro As Estranhas Réguas do Tempo, de André Giusti, crônicas (Editora Multifoco, 2014)
À venda neste link https://bit.ly/2PMyAQg ou comigo no inbox

Publicado originalmente neste blog em 22/8/2013

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O designer Eduardo Oliveira redesenhou um dos grandes sucessos da indústria automobilística brasileira.

Se fosse fabricada atualmente, seria assim, como aparece nas fotos, a boa e velha Caravan, a preferida das famílias, funerárias e equipes de reportagem de TV nos anos 70 e 80.

Em minha opinião – e isso é apenas a minha opinião – a repaginação da Caravan (Eduardo Oliveira fez também a do Opala, procure e veja que espetáculo) é um oásis de beleza no deserto do horroroso mundo preto e prata das SUVs japonesas e coreanas, que com suas lanternas e faróis pontiagudos me parecem mais super-heróis orientais do tempo da TV Tupi.

Mostrei as fotos a Sergio Maciel, outro aficionado por automóveis e, feito eu, saudosista dos carros que dirigimos (ou sonhávamos dirigir) quando éramos moleques.

Ele me respondeu que não haveria mercado para a Caravan hoje em dia, por mais bela que fosse, pois está longe de derreter no mercado a consolidação da ditadura das SUVs/ tanques de guerra que ocupam duas vagas.

Triste, concordo, e com o perdão do pessimismo, parto do pueril exemplo de um automóvel e acabo considerando que a beleza é elemento relegado a 2º, 3º, 4º planos nos sombrios dias atuais. Na música, na dramaturgia, nas artes plásticas, literatura, roupas, arquitetura. Nos automóveis.

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No geral, o tal custo benefício reina, para fortalecimento da aridez dos espíritos e das emoções.

Meu velho amigo se estende, e me lembra que além da beleza também foram para debaixo do tapete a inteligência, a cultura, a compaixão. A liberdade de expressão está indo igualmente, acrescento, ainda mais triste, porque, afinal, esses quatro últimos elementos não dizem qualquer respeito aos automóveis.

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Silvia Izquierdo/AP

Silvia Izquierdo/AP

Nunca me arrisquei a defender a inocência de Lula.

Muito menos cravar sua culpa.

Até hoje é algo sobre o qual não me decidi (e acho que nem preciso mais).

Mas, levando-se em conta a divulgação de apenas certos trechos da delação de Pallocci na semana do 1o. turno e agora a aceitação de Moro ao convite do presidente eleito, cujo principal adversário foi julgado e condenado pelo futuro superministro, eu confirmo de uma vez por todas, para mim mesmo, a única certeza que tenho disso tudo: o julgamento foi político.

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Rabanada

A campanha eleitoral deste ano não está abalando apenas a democracia.

Está abalando também amizades e até laços de família.

Quase todo dia sei de alguém que saiu de algum grupo de uatzápi, chocado com a posição daquele colega de 2º grau ou daquele primo que julgava tão bacana, tão sereno e centrado nos posicionamentos.

E esse mesmo alguém sempre tem alguém a quem ele parou de seguir, desfez a amizade ou mesmo bloqueou.

Não tiro a razão e muito menos acho que quem assim age seja antidemocrático, que não aceite o debate ou opinião diferente da sua.

Sabe por quê? Porque não se trata mais apenas de discussão política, como foi em outras eleições de ânimos acirrados: Collor e Lula (1989) e Dilma e Aécio (2014).

É uma discussão por causa de valores humanos, de respeito ao próximo, à dignidade do semelhante.

Então, não dá mesmo para continuar sob o mesmo teto virtual que aquele colega que te emprestava o caderno na faculdade (que amava Pink Floyd e agora tá com cara de bunda sem saber o que fazer com os discos); aquele outro que te chamava sempre pro churrasco e o primo criado feito irmão quando eles defendem e empunham uma candidatura contrária a nossos principais valores, aqueles mais caros que sempre nos levaram a ver as pessoas com respeito e igualdade.

Quando votam em um candidato que lava as mãos em relação a um eleitor que mata um homem com 12 facadas apenas porque esse outro votou no adversário, eles estão também lavando as mãos, chancelando a estupidez.

É punk, radical (use o adjetivo que quiser) mas respeito ao semelhante, começando pela sua integridade, está acima até mesmo de amizades e laços de família.

Que se saia então dos grupos de zápi, que se esfriem as relações, que até mesmo tacitamente as encerremos, se estão nos afrontando em nossos princípios. Relações precisam de saúde.

Será um natal difícil, ao que parece.

Mas tem como se imaginar comendo rabanada e escutando falar de Jesus aquele seu cunhado que, a julgar em quem votou, considera normal que tenham colocado ratos na vagina das mulheres? Talvez daqui a um ano, quando o cenário for diferente, a poeira de toda essa estupidez tiver baixado e, quem sabe, ele tiver se arrependido.

Este ano não dá.

É o preço da coerência.

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òdio

Acho que o voto nulo é sim um instrumento democrático.

Se nenhum dos dois me agrada, tenho o direito de anular o voto.

Aliás, democrático mesmo é ter o direito de nem aparecer para votar e não ser penalizado por isso.

Só que, nos dois casos, não tenho o direito de reclamar, me isentei de escolher um. Ou tenho esse direito, justamente porque não quis nenhum dos dois e posso reclamar de quem escolheram. Mas isso é uma outra discussão.

O fato é que entre dois ruins, muito ruins (vide o caso do Rio de Janeiro) sempre haverá um pior (vide novamente o Rio), e não escolher entre os dois pode significar escolher o pior.

Estou escrevendo pensando em você, que é antiPT.

Tudo bem, não te tiro a razão, embora ache que você exagera. Mas isso é, novamente, outra discussão.

Essa tal ditadura comunista (ou socialista, não se decidem muito bem como a chamam) não existiu nos governos do PT e não existirá.

Durante o 2º governo Lula, apresentei um programa na Band News FM em Brasília juntamente com um jornalista famoso que acordava já pensando em como bateria no governo naquele dia. Tudo era motivo para falar mal do então presidente. Todo dia era pancada.

E nunca – nunca mesmo – houve qualquer represália do Palácio do Planalto, ao contrário de governos locais de outros partidos.

Se você pensa em votar nulo por causa do seu ódio justificável, mas exagerado, ao PT, lembre-se de que com ele de volta ao governo você terá garantido, inclusive, o direito de mostrar esse ódio.

E de fiscalizar a corrupção, que é o motivo que te levou a sentir o que você sente.

Já em um governo autoritário, isso jamais será possível.

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Em meio a uma semana difícil e pesada, em que o maior esforço é o de manter a esperança, eis que surge uma alegria pra mim. A Alexandra Vieira de Almeida faz uma crítica minuciosa e pra lá de positiva do meu livro A Solidão do Livro Emprestado (Contos, Editora Penalux, 2018, 2ª edição, 2018). Mostro aqui em trechinho.

Capa solidão

“André Giusti é verdadeiramente um contista de peso, que sabe lidar com a palavra com facilidade e destreza, conduzindo os leitores aos jogos desafiadores da leitura que nos faz refletir sobre nossas próprias vidas em meio ao universo urbano com todas as suas delicadezas, vícios, agressividades e belezas. Um livro que nos impacta por sua força cotidiana, revelando o que temos e escondemos nas dobras das palavras, dos gestos e dos silêncios.”

Quem quiser ler tudo, acesse o link do blog dela.

https://bit.ly/2IS9cmg

Livro à venda em https://bit.ly/2PrauGV

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Haddad2

William Nascimento é um dos bons jornalistas de uma geração que se formou poucos anos atrás. Mistura eficiência e momentos de brilhantismo.

De origem humilde, me contou outro dia que se não fosse o governo do Lula, não teria conseguido se formar. Referia-se a instrumentos como Prouni, Fies, adotados quando Fernando Haddad era ministro da educação.

Willian é exemplo do Estado mudando para melhor a vida das pessoas. Há outros exemplos por aí, vestindo jalecos de médicos, nos escritórios de advocacia, fazendo cálculos de engenharia. Quem acha isso pouco ou irrelevante certamente é porque nunca passou apertos com mensalidade de escola.

Prefeito de São Paulo, Haddad abriu a cidade para as bicicletas, coisa que se faz nos países de primeiro mundo. Foi na contramão do transporte individual, que satura não apenas as cidades brasileiras, mas também nossa qualidade de vida.

Não foi reeleito, e os adversários dizem que foi “expulso” pelo eleitor paulistano.

“Expulso” por um eleitorado que deu mandato a Alexandre Frota, um ator pornô, e ao Tiririca pela 2ª vez, um palhaço que fez o povo de palhaço, porque disse que largaria a política e taí de novo.

Ser “expulso” por um eleitor desses é um elogio, é ponto a favor.

Eleitor do PT há 32 anos, desde minha primeira eleição, me decepcionei com a ganância do partido pelo poder, pelas mãos que meteu na lama, pelas alianças espúrias que fez.
Mas votarei em Fernando Haddad com a consciência tranquila e convicto da minha escolha.

Porque creio em sua capacidade de fazer uma gestão moderna, que dê agilidade e eficiência ao Estado, mas sem nunca perder de vista a justiça social.

Pode-se até achar que sua experiência administrativa é pouca, mas ao que consta, o outro candidato sequer síndico foi algum dia.

Creio que Haddad será capaz de conter a sede de poder dos próprios correligionários e, com isso, manter sob vigília os que têm inclinação pelo lamaçal. De quebra, mostrar autocrítica em relação às decepções provocadas pelo partido.

Penso que tem personalidade sim. Poderá e deverá se aconselhar com os mais experientes, mas longe de ser marionete. Leva-me a crer que o país será governado de Brasília, de seu gabinete, e não de outro lugar.

E, por fim, e talvez o mais importante, não anda com gasolina e fósforos debaixo do braço, pronto a começar um incêndio a cada contenda. É um claro defensor da democracia e carrega um tom naturalmente apaziguador (algo nele me lembra JK, pelo o que a história conta), capaz, inclusive, de sentar com o outro lado, conversar, ouvir, tentar o entendimento.

E o entendimento será fundamental para o Brasil depois de 28 de outubro.

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Durantes muitos anos acreditei que a democracia havia realmente se consolidado no Brasil.

E quando comecei a pensar assim nem era governo Lula nem nada. Ainda era FHC (aliás, por onde anda, que não se manifesta, não abre a boca?).

Juro que jamais pensei que em minha meia idade essa certeza estaria completamente desfeita.

O mais engraçado é que é por intermédio da própria democracia e seu instrumento mais consagrado, o voto, que ela corre o risco de perder as forças e desfalecer feito um anêmico, um desnutrido. Um torturado que apanha até confessar o que jamais cometeu.

O fato é que estou me tornando um sujeito medroso de conversar sobre política em voz alta em locais públicos.

Uma coisa é você ser retrucado por eleitores de candidatos que querem, por exemplo, vender o Banco do Brasil; outra, por quem defende que o Estado volte a ser um grupo de extermínio, dessa vez (por incrível que pareça) sob a chancela democrática do voto (ah, eles querem vender o Banco do Brasil também, é que no discurso tomado pelo ódio isso fica em 2º plano).

Outro dia o poeta Ian Viana foi agredido seriamente durante uma discussão sobre política e eleições.

Confesso meu medo de passar por isso, porque estou ficando velho e cagão.

Medo de termos no futuro perseguições do tipo “não, esse comunista (eu?) não vai tomar posse em cargo público algum”; ou mesmo “ ah, essa aí é filha dele, né? Tem bolsa de estudo pra ela não”. Coisas práticas, da vida diária, que aconteciam 40, 50 anos atrás em segundo plano em relação à barbárie, mas que prejudicaram a vida de muita gente que não necessariamente foi pro pau de arara.

O que esperar de gente cujo argumento é a estupidez da palavra, da agressão verbal e física e cuja campanha por seu candidato se intensifica com mentiras e invenções descabidas buscando convencimento de indecisos nos grupos de zap?

Logo eles que “defendem” o fim da corrupção, da desonestidade.

É claro que desde sempre foi muito claro que não é fim de roubalheira coisíssima nenhuma o que buscam, do contrário estariam se questionando como um dos filhos do candidato enriqueceu 432% desde que foi eleito pela 1ª vez, e porque o próprio candidato não consegue explicar o aumento do seu próprio patrimônio, seu auxílio moradia, seu nepotismo.

Desde sempre é nítido que o combate à corrupção é só o disfarce para o ponta pé que querem dar para que os negros voltem às senzalas, para que os homossexuais não tenham direito a viver em paz sua sexualidade, para que a filha do faxineiro volte a não ter perspectiva de ser médica.

O que me espanta é que nesse bolo de votos a favor da tirania, há um número crescente de mulheres, se as pesquisas não estão erradas. Diante disso, seguro meu impulso de homem imperfeito para não dizer “ então, querida, se apanhar de seu marido, apanhe em paz e não vá à delegacia dar trabalho aos escrivães ocupados em registrar a estupidez contra as mulheres que realmente querem combatê-la”. Claro que me contenho, esfrio a cabeça e não digo nada. Do contrário, me igualaria a quem me oponho.

Medo

Escuto aqui e ali uma meia dúzia de três ou quatro declarar voto no Amoêdo, no Alckmin (versão gourmet do fascista, como ouvi outro dia por aqui) e no Meirelles (não, na verdade nunca ouvi ninguém dizer que vai votar no Meirelles). Para mim, estão dizendo, com outros nomes, que votarão na barbárie.

Há os que juram que não vão votar nele de modo algum, mas juram com muito mais ênfase – e espuma no canto da boca – que não votarão no PT de jeito algum. Então, quando você olha pra pessoa e pergunta apenas com os olhos: “ e no 2º turno, o que você vai fazer?”, ela sorri amarelo e jura com base em sei lá qual entendimento sobre a vida nacional que ele jamais tentará fechar o Congresso ou promover perseguições. E saem de fininho com a cara disfarçada de “foda-se se ele fizer, o importante é que o PT não voltou”.

Entre toda essa gente, sigo com medo, confesso, e pensando como foi dito também por aqui outro dia: “ nem de bairro eu consigo mudar, que dirá de país”.

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