André Giusti - foto: Luana Lleras
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Recebi vários convites para participar de atos culturais inseridos nas manifestações que pedem que Lula seja solto.

Apoio todas, mas não fui a nenhuma.

Desculpe a sinceridade, mas não adianta. Lula não vai ser solto, ao menos antes da eleição, e isso para mim é tão evidente quanto o fato de que ele foi o melhor presidente que o Brasil teve.

Não entro no mérito se ele é ou não inocente. Novamente sendo sincero, não tenho condições de avaliar isso.

O que me parece outra vez evidente é que o julgamento dele foi político. Todos os elementos, inclusive a velocidade do processo, não deixam dúvidas de que o julgamento foi político.

Julgamento político, preso político. E por isso mesmo, não vai sair. Ao menos antes do prazo que interessa ao establishment.

Portanto, as manifestações são lindas, mas em minha modesta opinião são queima inócua de uma energia que deve ser posta em favor de uma candidatura de esquerda que vença e afaste o perigo da imbecilidade temperada de fascismo, ódio e preconceito, recheada da ausência total de proposta palatável de país e de governo.

Não vou declarar aqui meu voto, porque ainda não decidi. Mas declaro minha dúvida: Ciro ou Boulos? Com todas as qualidades e defeitos que os dois possuem, porque são homens e ser humano é chegado à imperfeição.

Vou parar de ler e escutar as notícias sobre o egocentrismo e o egoísmo do PT e sua fantasia de achar que o país é o mesmo de dez anos atrás, de que não, não tem nada acontecendo e amanhã será uma linda festa o lançamento da candidatura, da sua não-aceitação de que não tem mais condição de dar as cartas do jogo.

Tratarei de resolver em qual dois dois supracitados candidatos votarei, e penso que todos que refutam a boçalidade deveriam fazer o mesmo.

Porque, agora, não adianta pedir que o Lula seja solto.

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Em tempos de caçada ao voto, ressurge um velho discurso com métrica de frase de efeito e pose de moderno, inovador, revolucionário em termos de gestão pública: o Estado precisa ser administrado como uma empresa.

É um equívoco para engambelar os mal informados produzido pela falácia capciosa dos mal intencionados.

Estado não pode ser administrado como empresa porque simplesmente os dois são totalmente diferentes, com finalidades diferentes. Se assim não fosse, não haveria necessidade de Estado. Ou de empresa.

Empresa é para dar lucro.

Estado é para bem servir à sociedade, à população em suas necessidades básicas. Deve ser bem gerido, é claro, mas não com o modelo empresarial, que nele não cabe.

O olho dos que defendem essa ideia não mira bons hospitais, boas escolas. Mira a venda do patrimônio público a uma meia dúzia de três ou quatro, para que fiquem mais ricos os de sempre.

Desconfie de quem posa de moderno mas passa longe de antigas mazelas, como distribuição de renda, moradia ao alcance de todos, escola básica forte, medicina gratuita e preventiva.

É apenas uma velha caquética vestida com roupa de mocinha.

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Lámen Shop não é um filme com um roteiro inventivo, inusitado, super criativo. Na verdade, é uma história – até certo ponto corriqueira – de família. Mas é uma história linda sobre amor e perdão. E fala o tempo todo de comida. Quer coisa melhor? Recomendo.

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Na matéria exibida pelo Bom Dia Brasil desta 4ª feira sobre o tal dr. Bumbum, o sujeito, em um vídeo postado em seu perfil na rede social, diz, vestido com aquele jaleco verde usado nas cirurgias: “Quando eu visto esse jaleco, é que o bicho vai pegar”.

A frase tem uma entonação debochada, mundana, parece dita por algum frequentador assíduo de boteco quando chega com sede para beber.

Me lembrou o Romário quando entrava em campo para trucidar as defesas adversárias.

Aliás, pelo que veio à tona, foi isso que o tal dr. Bumbum fez com sua última paciente e com algumas outras também.

Mas, pondo de lado rapidamente a canalhice do médico, o que leva alguém a desconsiderar qualquer possível dica do bom senso e se submeter a um procedimento médico em uma cobertura, longe de qualquer estrutura hospitalar?

Certamente a mesma cegueira que já vitimou ou mutilou mulheres nas tentativas de ficarem supostamente mais belas com lipoaspiração ou aplicação de silicone.

É a cegueira florida na ditadura da beleza, cruel como qualquer ditadura (estupidez que não se contenta apenas com o campo político), cultivada atualmente nos excessos das academias de ginástica e salões de beleza, na esquizofrenia das dietas.

Sob a mão de ferro do regime de exceção em sua versão “torne-se uma beldade”, o que importa é o corpo perfeito, mesmo que a morte possa ser seu preço.

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Dias atrás, quando o Brasil dançou da Copa, postei uma bandeira da Croácia sinalizando minha torcida a partir dali.

Recebi, então, o link de uma matéria contando sobre as manifestações nacionalistas – cheirando a fascismo – de alguns jogadores da seleção sensação.

Logo em seguida, a Folha fez uma matéria sobre o mesmo assunto, acentuando que essas manifestações têm a representatividade de parte da população.

Fiquei na dúvida, mas mantenho a torcida.

Vitória ou derrota croatas não vão temperar ou arrefecer o ânimo de imbecis racistas, xenófobos e preconceituosos em geral.

Gosto da entrega dos jogadores croatas em campo, uma entrega que há muitos anos falta a uma certa seleção de camisa amarela, ultimamente vendida ilusoriamente pela mídia como muito mais forte do que verdadeiramente é.

E há o passado recente da Croácia, aquela guerra estúpida e sangrenta na década de 90.
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A forte matriz africana da seleção francesa poderia ser um motivo para minha torcida, sem falar na forma de jogar que me pareceu perfeita em vários momentos da Copa. Mas como italiano, implico com esse país maravilhoso que é a França, e se a questão não for mesmo apenas futebol e partir para a política, convenhamos que há muito tempo a França não é mais nenhum exemplo de liberdade, igualdade e fraternidade.

Além do mais, se a gente tiver que deixar de torcer por um país por causa do pensamento imbecil de parte da população, deveríamos começar, então, pelo próprio Brasil.

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Caixa

Parabéns à Caixa Econômica pelo anúncio na fachada de sua sede, na zona central de Brasília.

Finalmente uma propaganda brasileira com a cara do país, sem uma/um loura/louro de olhos azuis. E mesmo a branca que aparece, lá no alto, é uma branca bem brasileira, longe do ideário verafischeriano.

E antes que algum filho/neto de alemão e italiano venha correndo dizer “mas eu também sou brasileiro, meu avô, meu pai vieram para desenvolver esse país e blá-blá-blá”, encerro a discussão: essa propaganda da Caixa é por todas as outras em que nós, branquinhos de olhos claros, aparecemos lindos e sorridentes, sem nenhuma/nenhum negra/negro ao lado, como se fôssemos, sozinhos, a representação étnica do Brasil.

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Innovo/Divulgação

Innovo/Divulgação

Uma de minhas filhas faz balé numa das principais academias de Brasília.

No último domingo, houve a apresentação de meio de ano.

Não entendo nada de balé – a não ser de babar quando minha pequena se apresenta -, mas penso que que não é como um show de música ou partida de futebol, em que a plateia ou torcida fica berrando o nome de quem está no palco ou no campo.

Luz apagada, concentração das/dos bailarinas/bailarinos para começar o número e então lá vem uma saraivada de gritos da plateia (ou torcida?): “Carol! Vai Tati! Dá-lhe, Mariana! Arrebenta, Pedro!”.

Impossível não abalar a concentração de quem está no palco, por menos que seja. E a histeria se repetiu a cada apresentação de turma.

Depois de cada apresentação, normal gritar. Eu também gritei o nome da minha filha. Antes, no entanto, penso que é um espetáculo que merece uma certa reverência, uma certa cerimônia e solenidade antes de começar.

A elite brasileira – e a plateia era formada senão na totalidade, na maioria pela elite da capital do país – pode ter instrução (bons níveis de escolaridade), mas, a julgar pelo comportamento de domingo, me parece cada vez maior sua distância de certos gêneros artísticos e expressões culturais tão importantes para a formação do pensamento humano (artes plásticas, teatro e cinema com conteúdo crítico, literatura…).

Daí se comportar num espetáculo de balé como se estivesse num torneio de handebol na escola, num show de música sertaneja ou em um de pagode. Ok, num de Rock também (fora os que chegam atrasados e ficam parados escolhendo lugar, como se não houvesse ninguém sentado atrás querendo assistir).

É de se pensar naquela boa frase: são tão ricos, que só têm dinheiro.

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Oiguassu

Oiguassu

A partir de uma postagem minha sobre o choro do Neymar após o jogo contra a Costa Rica, cheguei a uma constatação, na base do olhômetro.

Meus “amigos” que defendem o jogador, e que o acham referência de algo positivo, seja lá o que for, são, no geral, os mais conservadores, os que, para dar uma exemplo bem ilustrativo e resumitivo, apoiaram a saída de Dilma Rousseff. Neymar, camisa da seleção, TV Globo, Veja, pato, menininha nos ombros do pai pedindo dólar mais barato pra ir pra Disney, mimimi.

Os que não enxergam em Neymar nada de muito válido são justamente, e no geral, os do campo oposto. Lula livre, foi golpe, fora, Temer! Marielle presente!

É só uma constatação bem empírica, sem qualquer técnica ou metodologia e que não vai influenciar em nada na classificação ou não do Brasil.

E muito menos nos destinos da vida nacional.

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choro neymar

Não me convence nem um pouco o choro de Neymar após o jogo medíocre que a seleção fez hoje.

Para ser ainda mais claro: choro forçado, programado, pensado estrategicamente para o centro do campo, que será a ‘cerejíssima’ do bolo com excesso de açúcar e glacê barato a ser servido logo mais no Jornal Nacional.

No show de interpretação canastrona que vem dando a cada vez que um adversário encosta nele, a cena final do jogo de hoje não merece qualquer crédito.

Muito menos comoção.

Principalmente se comparado ao choro de Pelé ao final da decisão da copa de 58.

Mais ainda se visto ao lado do choro da mãe cujo filho com uniforme da escola foi assassinado por um tiro da Polícia no Rio.

mãe filho morto

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HuffPost Brasil

HuffPost Brasil

Trabalho em um dos setores da zona central de Brasília.

Toda 4ª feira, à hora do almoço, há na calçada um culto evangélico, bem junto ao prédio em que estou.

Sendo ou não adepta da crença, a pessoa ouve os cânticos e a pregação.

O culto transcorre em paz, sem que ninguém reclame ou tente impedir que aconteça. Não serei hipócrita: ele me incomoda, mas nada que não seja tolerável, suportável.

Mas gostaria de ver, no mesmo local, em dia alternado da semana, um culto de umbanda ou candomblé, dos quais também não sou adepto.

Será que aconteceriam igualmente em sossego?

É essa dúvida, quanto à tolerância seletiva, que me incomoda.

umbanda

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