André Giusti - foto: Luana Lleras
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O despreparado-mor da República tenta empurrar nos governadores a culpa pela cagada que o Covid tá fazendo em nossas vidas.

É um cínico, canalhice cabeluda, mas – é duro, dá um nó nas tripas dizer isso – em alguma medida há razão no que acusa o alucinado.

Vejamos Brasília.

Se o governador tivesse sido macho e mantido a postura que teve nas primeiras semanas da pandemia, possivelmente a cidade, mesmo que não houvesse se livrado totalmente do vírus, teria hoje condição de voltar com mais segurança ao que deve ser o normal daqui pra frente.

Mas não, abriu as pernas para associações comerciais e semelhantes, uma espécie de sanguessugas que pensam em primeiro lugar neles, em segundo lugar neles e em terceiro lugar neles.

Agora, com os números lá em cima e sem qualquer sinal de que haverá recuo no perigo real de contágio, tem bar aberto, cafeteria chiquezinha funcionando e um cabo de guerra com a Justiça para abrir escola (tudo com a anuência de uma parcela imbecil da população que acha que estamos vivendo em agosto do ano passado).

O Brasil tomou LSD e vive sua realidade lisérgica.

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consumidormoderno.com.br

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É claro que não se deve e não se pode desejar a morte de ninguém, mas deixando a hipocrisia de lado, quem nunca, ao menos por um centésimo de milésimo de segundo, não pensou que seria melhor se o Zé Maria abraçasse aquela figura cuja serventia para a humanidade a gente fica tentando e não consegue encontrar?

Ao contrário, o sujeito arruma confusão e dá prejuízo como quem respira.

Em alguns casos, no entanto, é até pouco inteligente querermos que a pessoa bata a cassuleta.

Dependendo, o cara pode virar lenda, objeto de culto, arrebanhar seguidores e aí mesmo é que a gente não se livra dele.

E no meio disso aparecer alguém até pior (porque pior sempre existe, creia).

Então, é melhor deixar a peça viva e torcer para que a sua sucessão de desatinos e estultices o faça derreter em praça pública, feito um sorvete ruim no asfalto de verão, para que todos vejam, quiçá inclusive os imbecis que o cultuam, a ilusão em que se meteram e, de quebra, nos levaram junto.

É como uma morte estando vivo, para alguns casos, a morte ideal.

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Dois livros recentes (um, pouco mais do que o outro) cativam o leitor para falar de dois dos fatos mais importantes da história do Brasil: a Proclamação da República e a construção de Brasília.

Começo pelo fato mais antigo, narrado na obra mais recente.

Obra de Aguinaldo Tadeu narra ciúme e escândalo na queda de P II

Obra de Aguinaldo Tadeu narra ciúme e escândalo na queda de P II

A Mulher que Proclamou a República, de Aguinaldo Tadeu (Editora Penalux), fala de um tórrido caso de amor, com direito a ciúme e escândalo, envolvendo um dos personagens mais vultosos da nossa história.

O pano de fundo é a queda da Monarquia e a ascensão do novo sistema de governo, uma mudança que para variar passou ao largo da vontade do povo ( Foi golpe, e a frase tão repetida de quatro anos para cá é, vejam só, mais do que centenária).

No livro, em que tive a honra de assinar a orelha, o mineiro Aguinaldo Tadeu coloca como cereja do bolo da conspiração contra Pedro II um motivo tão estapafúrdio que se por acaso for mesmo ficção, em se tratando de Brasil e seus absurdos, poderia muito bem ser verdade.

Na obra de Lima, a verdadeira construção de Brasília

Na obra de Lima, a verdadeira construção de Brasília

O outro livro, lançado ano passado, é Às Margens do Paraíso (Editora CEPE), em que Lima Trindade construiu personagens consistentes, cujas vidas se entrelaçam no massacre diário e silencioso das classes pobres e operárias que construíram Brasília, a capital de todos os brasileiros (dependendo, é claro, da cor e da condição social desses brasileiros).

Na receita para erguer às pressas uma cidade no nada que era o Planalto Central, uma mistura de utopia, ideologia, tirania e corrupção, que não foi criada por partido algum, posto que, em maior ou menor grau, é composição do DNA tupiniquim.

A Mulher que Proclamou a República e Às Margens do Paraíso são livros importantes em um país que precisa olhar para trás se quiser andar realmente para frente, algo que se recusou a fazer nesses primeiros 520 anos de existência.

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A insanidade ditatorial que vemos no vídeo – armar o povo – já é conhecida, não é novidade, e merece uma resposta concreta das instituições, algo bem além de notas de repúdio.

Também nada de novo em xingar governador.

A boçalidade do Weintraub é costumeira, no vídeo ela aparece dentro da normalidade do seu comportamento de asno .

Se ele fala nas redes sociais, imagina se não falaria numa reunião de trabalho.

A Damares também se sai com suas imbecilidades, que não são inéditas.

O problema é que anunciaram que o vídeo era devastador para o governo. Não parece.

Aliás, a própria interferência na PF, que o Moro saiu apontando, não tem a firmeza toda que ele anunciou.

Como jornalista, achei decepcionante.

Mas como cidadão estou ainda mais horrorizado com esse governo.

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Sensacionalista

Sensacionalista

O Centrão, ícone do toma-lá-dá-cá, já pegou para si o departamento que cuida de obras contra a seca, típica autarquia que irriga de dinheiro a burra de muito político.

Vai colocar as mãos também em mais duas Fundações, só para abrir o banquete da “nova forma de fazer política” e segurar as pontas do governo contra um possível processo de impeachment.

E a manada ocupando praça e avenida com protesto estúpido e imbecil para gritar que querem derrubar o sujeito porque ele está rompendo com os velhos padrões.

A nossa pior pandemia é o analfabetismo histórico e político

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fora_bolsonaro

Não é frequente, mas às vezes dá vontade sim de responder o ódio com o ódio, revidar a estupidez com a própria, ver como fica uma grossa mancha de sangue em uma camiseta novinha da Nike com escudo da CBF.

Mas não! A gente não pode fazer igual a eles, nós temos que fazer melhor, por que nós somos melhores do que isso que a gente tá vendo, do que esse espetáculo dantesco que aconteceu hoje, em Brasília.

A gente acredita na legalidade das soluções pacíficas que a democracia oferece.

Portanto, impeachment.

Por bem menos já assistimos a dois.

Um terceiro não doerá nada, ou bem menos do que o caminho que se desenha.

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Moro e Aécio

Esta foto, que se tornou um dos clássicos do fotojornalismo brasileiro, trouxe os primeiros sinais inequívocos de que Sérgio Moro conduzia seus processos com finalidade político partidária (no caso dele, uma variação da hipocrisia).

A comprovação veio quando aceitou ser ministro do governo cujo maior adversário ele próprio condenou à prisão meses antes.

Agora deixa este mesmo governo com os mesmos propósitos com os quais conduziu sua carreira de juiz, ao menos nos anos de estrelato.

E sai depois de ter feito ouvido de mercador para todo aquele papo de milícia, Queiróz e rachadinha.

Também fingiu que não viu o então chefe indo a manifestação que pedia fechamento do Congresso e do Supremo.

Mas nada disso, absolutamente nada, invalida o que disse serem os motivos pelos quais pediu demissão.

Da mesma forma que sempre pesaram as delações premiadas, pesam até mais as revelações do ex-ministro.

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Livro Baggio

Espantos para Uso Diário, livro de contos do escritor paranaense Mário Baggio, publicado ano passado pela Editora Coralina, bem poderia se chamar Absurdos para Uso Diário.

Estaria bem batizado.

É que os espantos de Baggio parecem absurdos, deliciosos absurdos a debochar do mundo atual, do pais atual.

Mas não é deboche sem propósito.

É de denúncia em boa parte dos casos.

Baggio cria fatos delirantes e desse modo, bastante original, trata, por exemplo, da violência doméstica, falando do homem ciumento que arranca os olhos, as pernas e os braços da mulher para que ninguém a tome dele.

Acaba perdendo-a para um circo que a quer como atração bizarra.

Em outro momento, a esposa exemplar coloca os filhos no forno (ligado) para ter em sossego um jantar romântico com o marido.

Mas, calma.

Em tempo de tanta aflição e angústia, o livro de Baggio traz também – e em boa quantidade – lirismo e doçura, como em dois belíssimos contos: Elizete e a Vitrola e Solidão para Uso Diário, uma variação do título da coletânea.

Portanto, para fazer passar mais rápido a quarentena, recomendo a obra de Mário Baggio com seus espantos e seus absurdos.

O único problema pode ser, quando depararmos com o noticiário, chegarmos à conclusão de que as histórias de Baggio nem são tão absurdas assim.

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Reprodução FB A.Marino

Reprodução FB A.Marino

Do nada me cai no colo deliciosa lembrança trazida pelo poeta Alexandre Marino.

Na foto, página do (saudoso) Jornal do Brasil com a matéria assinada por ele, que também é jornalista.

Je Vou Salue Marie acho que foi o primeiro grande desafio de um país que saía da censura como um todo, inclusive na cultura.

O filme de Jean Luc Godard mostrava Maria – mãe de Jesus – como uma garota normal, que engravida de uma maneira normal (como Maria engravidou, diga-se de passagem).

O conservadorismo caiu de pau em cima, querendo proibir o filme no cinema.

E conseguiu.

Sarney era o presidente e cedeu à pressão: a censura estrebuchava, mas ainda dava uns gritos.

O Marino conta bem tudo isso na página dele, veja lá.

Eu era um moleque de primeiro período de faculdade de comunicação, um tanto longe ainda de uma redação, e vivi, justamente como estudante, toda essa polêmica.

O DCE da minha faculdade conseguiu uma cópia clandestina do filme e a exibição foi feita num cantão meio escondido do campus, porque, pelo que me lembro, a direção da faculdade (Estácio de Sá, no Rio) também não via com bons olhos aquela coisa da mãe de Jesus ter tido relação sexual.

Eu fui na exibição, um pouco por ideologia política, à época ainda incipiente, e muito mais pela bagunça.

Por isso achei o filme chato pra cacete, e dormi na sessão.

Embora já universitário, minha pobre cabecinha ‘tava ainda mais para Spielberg do que para Godard.

Mas essa lembrança que o Marino me trouxe, nessa tarde isolada de quarentena, é aquele conforto que a gente sente quando percebe que a vida passou, e que a gente viveu.

Tipo aquela bala que a gente tirou o papel todo, bem devagar, e chupou toda, até o fim.

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Página  Faxineira (FB)

Página Faxineira (FB)

Trancados em casa, percebemos que essa situação serve também para darmos valor a pessoas e coisas que ou nos passam despercebidas ou das quais reclamamos.

Falo das faxineiras/diaristas e das donas de casa.

Não há academia mais pesada do que banheiro e cozinha pra limpar, casa pra passar pano (e sem o glamour de uma academia, sem gente bonita e sarada passando de um lado pro outro).

E cozinhar?

Uma coisa é fazer num domingo ou noutro aquela receitinha descolada que zanza pelos sites bacaninhas.

Outra é conjugar criatividade com o que tem na geladeira e partir pra cima do fogão todo santo dia.

E no meio disso tudo, vamos nos lembrando e nos perguntando, com uma saudade até então impensável, quando voltaremos a, por exemplo, encarar aquele buzum cheio ou a fila da praça de alimentação do shopping em que já conhecemos todos os vendedores.

Ps: No 2o. turno, em 2018, alguém que pregava o voto nulo postava sempre “vocês escolheram o pior 2o. turno da história”. E ele e milhões escolheram o pior 2o. turno da história para pregar o voto nulo. Deu no que deu.

Ps2: Não aguento mais ver kkkkk nos grupos de zap.

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