André Giusti - foto: Luana Lleras
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Entrevistar olhando nos olhos

Aluno do segundo período de comunicação me entrevista para trabalho da faculdade. A disciplina é técnica de reportagem, ou algo similar. As perguntas são boas, pertinentes, ele fez um bom trabalho de pesquisa, sabe quem eu sou e o que já fiz na vida. Pela amostra, poderá ser um bom jornalista. Entretanto, enquanto eu falo, [...]

Aluno do segundo período de comunicação me entrevista para trabalho da faculdade. A disciplina é técnica de reportagem, ou algo similar.

As perguntas são boas, pertinentes, ele fez um bom trabalho de pesquisa, sabe quem eu sou e o que já fiz na vida.

Pela amostra, poderá ser um bom jornalista.

Entretanto, enquanto eu falo, seus olhos não param de observar o ambiente em volta, a praça de alimentação de uma universidade na hora do intervalo. Acho que não consegue me fixar por mais de cinco ou dez segundos. Logo dispersa, sai de mim, vai pescar o que está em volta.

É uma característica que venho observando nos nascidos nos anos 90, a chamada geração y ou sei lá que outra letra. Essa capacidade que possuem de ler, ouvir música, assistir à TV, navegar e mais duas ou três coisas deve ser o que os faz assim.

Não quero dizer que isso é ruim, mas também não sei se é bom. Se a absorção de cada conteúdo é satisfatória, é outra discussão, e a ela não me atrevo.

Também não me atrevo a afirmar que o rapaz não tenha prestado atenção às minhas respostas, mas não emendou a elas nenhuma pergunta que não tenha trazido pronta (boas perguntas,repito). E uma bela entrevista também é feita com base no que inventamos perguntar na hora, em cima do que o entrevistado responde; nasce também da observação ininterrupta dos gestos, expressões, olhares e até movimento labial de quem estamos entrevistando.

Portanto, fica a dica.

Amor e amizade precisam de olhos nos olhos.

Jornalismo, dependendo da ocasião, também.

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