André Giusti - foto: Luana Lleras
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Esperando Paul

Acho que fui um dos primeiros a comprar ingresso para o show do Paul McCartney em Brasília. Pouco depois das 7h abri o site de venda e garanti o meu,  cadeira superior, o mais barato, que é o que o orçamento permite. Resmunguei bem contra o valor da tal taxa de conveniência, de preço nada [...]

Acho que fui um dos primeiros a comprar ingresso para o show do Paul McCartney em Brasília.

Pouco depois das 7h abri o site de venda e garanti o meu,  cadeira superior, o mais barato, que é o que o orçamento permite.

Resmunguei bem contra o valor da tal taxa de conveniência, de preço nada conveniente, por sinal.

Há ainda a tal taxa de entrega pra quem compra pela internet. Pelo valor, chega-se a acreditar que o próprio Paul vá levar o ingresso pra gente, em casa. Dispensei. Eu mesmo vou pegar.

Vi Paul McCartney a primeira vez que ele veio ao Brasil, no velho Maracanã, em 1990. Ele tinha mais ou menos a idade que tenho hoje, entre 45 e 50. Foi memorável, até porque era a primeira vez que eu via, ao vivo, um dos dois principais integrantes da banda que é a minha principal referência de música. Até hoje. Até sempre.

Me lembro que, em determinado momento do show, pensei comigo, quase chorando: “pô, essa cara foi o melhor amigo do John Lennon!” .

Esta vez agora não deverá ser diferente. Primeiro porque possivelmente será a última vez de Paul no Brasil, mesmo que ele tenha vindo com bastante frequência nos últimos anos. Segundo porque gosto muito mais dos Beatles do que há 24 anos.

Mas minha expectativa para o show aumenta por um detalhe simplório: irei com minha filha mais velha, de 11 anos.

Ela ouve Beatles desde que estava na barriga. Meu primeiro presente pra ela foi o CD Beatles for Baby. Sabe décor  que o Paul fez Hey Jude pro Julian quando John se separou da primeira mulher. Sabe que o Ringo é o mais velho dos quatro. Sabe que a Linda morreu de câncer. Sabe que…e agora irá ao seu primeiro show de Rock. Debutará logo assistindo a quem.

O avô materno ensina às netas quem foram  Mozart e Beethoven, coloca o CD para que escutem. Diz que aquelas músicas foram feitas há mais de 200 anos e que até hoje a humanidade as escuta.  Eu concordo e acho válido.

Mas no show, daqui a exatamente um mês, eu vou virar pra ela e dizer: “Filha, tá ouvindo essas músicas? Pois é, daqui a 200 anos a humanidade vai estar ouvindo e cantando” .

 

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Comentário (1)

  1. Elaine Bayma -

    Que bom ler isso de alguém bem mais novo do que eu… Também acho que eles serão minha referência para sempre.

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