André Giusti - foto: Luana Lleras
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Estátua de açúcar

A imprensa tradicional, principalmente os chamados jornalões, parece que ainda não acordou para a realidade: ela não é mais a única fonte de informação nem a única fomentadora do debate público. Mas continua achando que é, e insiste estampar nas primeiras páginas, como se fosse de interesse geral, assuntos afetos a seu umbigo. Em nada [...]

A imprensa tradicional, principalmente os chamados jornalões, parece que ainda não acordou para a realidade: ela não é mais a única fonte de informação nem a única fomentadora do debate público.

Mas continua achando que é, e insiste estampar nas primeiras páginas, como se fosse de interesse geral, assuntos afetos a seu umbigo.

Em nada mudou meu dia a manchete da Folha informando que FHC acha Dilma ingrata. Almocei no mesmo lugar, vou dormir na mesma cama, receberei o mesmo salário.

Com a mesma certeza de que escrevem com alguma pertinência prática para nossas vidas diárias, colunistas de política lançam notas que, na verdade, são apenas satisfações aos que lhes dão informações. Servem aos donos do poder, não no sentido de governo e oposição, mas no daqueles cujas ações estão secularmente voltadas para o que é de seus próprios interesses.

Diante dos novos tempos, principalmente os jornais parecem deter a mobilidade de uma estátua. Iniciam as reportagens com fatos que já são conhecidos pelo público desde a tarde do dia anterior.

Mas em vez de a imprensa parar para pensar no que está fazendo – ou deixando de fazer – e se reinventar, volte e meia o que acontece é algum figurão que preenche longas e enfadonhas colunas nos velhos jornais vir a público atacar o conteúdo produzido na internet, principalmente nas mídias sociais (que, como todo conteúdo, também não é 100% pertinente).

Parece mesmo um sinal de que a estátua é de açúcar e está tendo os pés comidos pelas formigas.

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Comentário (1)

  1. Stela Guedes Caputo -

    Preciso!

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