André Giusti - foto: Luana Lleras
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Não é por aí

Recebo a notícia de que um casal gay entrou em um templo evangélico este fim de semana e começou a se beijar. Provocaram indignação no fieis, naturalmente, mas é possível que a intenção tenha sido outra: serem escorraçados e de lá saírem bradando que foram vítimas de preconceito. Não lograram êxito, pois, para a sorte [...]

Recebo a notícia de que um casal gay entrou em um templo evangélico este fim de semana e começou a se beijar.

Provocaram indignação no fieis, naturalmente, mas é possível que a intenção tenha sido outra: serem escorraçados e de lá saírem bradando que foram vítimas de preconceito.

Não lograram êxito, pois, para a sorte da civilidade, a informação é que a situação foi contornada com gentileza por um dos administradores da igreja (Assembleia de Deus).

É claro que se trata de um caso isolado, mas penso que o movimento gay ganharia muito vindo a público condenar qualquer tipo de provocação.

Não é espicaçando os contrários que se consegue aprovação para ideias e comportamentos. Pior, há o risco de se angariar a antipatia de quem se mantinha neutro na polêmica, e que levado por um bom discurso poderia oferecer sua adesão.

Sou heterossexual totalmente favorável à união civil dos homossexuais e à adoção de crianças por casais gays, caso tenham condições materiais, emocionais e morais para isso. Mas um gesto assim só adensa o vozerio de quem é visceralmente contra, forma como se manifesta a maioria dos evangélicos que conheço.

Alguém imagina o efeito de um pastor invadindo uma boate gay para pregar a Bíblia?

Provocação pode instigar o ódio, que é o preconceito amplificado. E não se consegue uma sociedade justa, na qual todos, inclusive os gays, tenham seus direitos reconhecidos, quando ferve o caldeirão do ódio.

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Comentário (1)

  1. Adalberto Malheiro -

    Concordo com quase tudo André, só discordo quanto à adoção. Mais alguns anos e, se dizer hétero causará espanto.
    Abraço.

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