André Giusti - foto: Luana Lleras
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O mistério da simplicidade.

É relativamente fácil explicar porque determinados programas de TV estão no ar há tantos anos. Aliados, formato e produção fizeram – e fazem – com que atravessassem décadas no vídeo dos brasileiros, marcando religiosamente a hora do dia, o dia da semana. Mesmo que eu passe longe da TV na hora em que estão sendo [...]

É relativamente fácil explicar porque determinados programas de TV estão no ar há tantos anos. Aliados, formato e produção fizeram – e fazem – com que atravessassem décadas no vídeo dos brasileiros, marcando religiosamente a hora do dia, o dia da semana. Mesmo que eu passe longe da TV na hora em que estão sendo exibidos, tenho que admitir que é o caso do Fantástico, do Domingão do Faustão, do Gugu, do Vídeo Show (Meu Deus! Será que não há um exemplo de bom gosto?).

Mas como explicar a permanência – e o sucesso – do Chaves? Se não me engano, ele, Chapolin, Kiko, seu Madruga e os demais já estão arrancando risadas da segunda geração de brasileiros. Agora mesmo, enquanto escrevo, minhas filhas perdem o fôlego de tanto rir na sala. Pela frieza lógica da produção televisiva de hoje, calcada na tecnologia, nos efeitos, no apelo visual, seria inxistente um lugar para Chaves e seu tosco aparato mexicano de cenários, de mixagem e edição de fundo de quintal. Se fosse automobilismo, diria que um Fiat 147 se mantém na pista ao lado de Ferrarris, Masseratis, Porsches.

Precisei lançar meu olhar de pai para entender a durabilidade de Chaves na TV. Ele se porta como criança, foi a conclusão a que cheguei. Faz as mesmas trapalhadas que seus telespectadores fazem ou gostariam de fazer, e da mesma forma inocente, pura, relaciona-se com o Kiko, com a Chiquinha, figuras facilmente identificáveis por nossos pequenos com o amiguinho da escola, a coleguinha do prédio. Daí cheguei à conclusão do óbvio, mas que parece ignorado pela mídia talvez nas duas últimas décadas: a criança, por ela mesma e sem interferência, quer ser tratada como criança, e não como projeção de adulto – mini gente grande  – usando sapatos de salto, maquiagem, roupas que antecipam a sexualidade e vivendo experiências que ela, pela própria característica biológica, não consegue processar.

Provavelmente os produtores de Chaves nunca pensaram em chegar ao sucesso evitando essa “antecipação” de uma maturidade restrita ao invólucro, mas acabaram acertando em cheio.

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Comentário (1)

  1. Denise Giusti -

    Concordo contigo, as crianças precisamo ser tratadas como crianças e não como adultos pequenos. tudo tem seu tempo, deixem as crianças serem crianças, se exigir-lhes maturidade! Eu mesma madura, tenho ainda uma criança dentro de mim que gosta de brincar, que gosta de ser mimada, adoro até hoje a história do Peter Pan, era o meu ídolo quando criança …. Ótimo texto!!

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