André Giusti - foto: Luana Lleras
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O país do pró-forma

Recentemente trabalhei em um ministério do Governo Federal em que uma norma interna obrigava que bolsas e mochilas fossem abertas na saída para que a segurança do prédio conferisse se nada do patrimônio público estava sendo levado. Percebendo que o confere não passava de uma simples olhadela displicente, certa vez brinquei com um dos guardas: [...]

Recentemente trabalhei em um ministério do Governo Federal em que uma norma interna obrigava que bolsas e mochilas fossem abertas na saída para que a segurança do prédio conferisse se nada do patrimônio público estava sendo levado.

Percebendo que o confere não passava de uma simples olhadela displicente, certa vez brinquei com um dos guardas: “pode olhar mais, não tô com pressa não”. “Isso é só pró-forma”, ele me respondeu sem muita vontade de espiar mais nada o resto da noite.

Alguns dias atrás, fiz exame admissional. O médico limitou-se a medir minha pressão e a perguntar se eu andava me sentindo bem. Sequer ouviu meus batimentos. Não chegou a dizer que aquele exame era pró-forma, mas acho que não precisava mesmo falar nada.

Parece que a verificação das normas de segurança e da capacidade de lotação das boates de Santa Maria é feita de mesma maneira: pró-forma.

Aliás, no Rio Grande do Sul todo.

Aliás, no país inteiro, como tudo que diz respeito à vida das pessoas.

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Comentários (2)

  1. Denise Giusti -

    É uma vergonha o nosso País! Ótimo texto, deveria ser publicado em jormnais!

  2. angela giorgio -

    ISSO É VERDADE!!! INFELIZMENTE!!! Será a vida humana pró-forma, no país dos improvisos e do jeitinho??? ;((

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