André Giusti - foto: Luana Lleras
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Os culpados pela morte do Léo

Na época das eleições de 2018, o primo de minha namorada morreu de depressão. Era homossexual e não aceitava que quase toda sua família fosse votar no candidato que disse que preferia ter um filho morto do que um filho gay. Léo – era esse seu nome – não conseguia mais olhar na cara de [...]

Na época das eleições de 2018, o primo de minha namorada morreu de depressão.

Era homossexual e não aceitava que quase toda sua família fosse votar no candidato que disse que preferia ter um filho morto do que um filho gay.

Léo – era esse seu nome – não conseguia mais olhar na cara de irmãs e da do próprio pai.

“Esse cara quer matar gente como eu e vocês vão votar nele?”, lembro-me de ter chegado a meus ouvidos essa frase dita por ele em um almoço de família, um dos últimos com sua presença.

Leo

Atualmente, eleito, o candidato em 2018 não passa um dia sem insultar a imprensa, sem ofender moralmente os jornalistas.

Eu sou jornalista e se tivesse que escolher, seria de novo, tal meu amor pela profissão.

E esse candidato hoje chegou aonde chegou com a ajuda dos parentes do Léo.

E de muitos de meus parentes. Parentes próximos, como os dele.

É claro, a dor do Léo era muito maior do que a minha revolta.

Ser agredido em sua opção sexual é bem pior do que na sua escolha profissional.

Mas, Léo, onde você estiver agora, saiba que eu sinto também um pouquinho da tua dor e da tua mágoa com pessoas que a gente deveria amar.

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Comentários (2)

  1. Ana Maria -

    Também sinto essa dor e carrego um pouco dessa mágoa

  2. André Giusti Autor do post -

    Nota oficial da ABI

    Nesta terça-feira, mais uma vez, para vergonha dos brasileiros, que têm o mínimo de educação e civilidade, o presidente da República, Jair Bolsonaro, é ofensivo e agride, de forma covarde, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.
    Este comportamento misógino desmerece o cargo de Presidente da República e afronta a Constituição Federal.
    O que temos visto e ouvido, quase cotidianamente, não se trata de uma questão política ou ideológica. Cada dia mais, fica patente que o presidente precisa, urgentemente, de buscar um tratamento terapêutico.
    A ABI conclama a sociedade brasileira a reagir às demonstrações do “Cavalão”, como era conhecido Bolsonaro na caserna, e requer à Procuradoria Geral da República que cumpra o seu papel constitucional, denunciando a quebra de decoro pelo ex-capitão Jair Bolsonaro.
    Paulo Jeronimo de Sousa
    Presidente da Associação Brasileira de Imprensa

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