André Giusti - foto: Luana Lleras
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Os extintos rompantes de torcedor

Por diversas vezes, quando o domingo corria alto, decidi ir ao Maracanã de supetão, sem programar nada. Ou porque algum colega chamava, ou porque batia aquela comichão repentina de torcedor com sexto sentido que pressente que aquele é o dia do time. A diversas vitórias do Flamengo assisti após um rompante de ir ao velho [...]

Por diversas vezes, quando o domingo corria alto, decidi ir ao Maracanã de supetão, sem programar nada. Ou porque algum colega chamava, ou porque batia aquela comichão repentina de torcedor com sexto sentido que pressente que aquele é o dia do time.

A diversas vitórias do Flamengo assisti após um rompante de ir ao velho Maraca (não esse aí, sem personalidade, com o nome nojentinho de arena) quando já tomava o cafezinho depois do almoço. Presenciei derrotas também, mas é da vida. De torcedor.

Em boa parte isso era permitido pelo preço dos ingressos. O bilhete de uma partida comum, de meio do campeonato, custava hoje o equivalente a R$ 10, R$ 20. Muitas vezes havia tumulto na compra, mas nada comparável à espera de quatro horas na fila que acontece neste momento em um shopping de Brasília para os torcedores que querem ir a Flamengo e Santos (25/5), jogo que deve mensurar se o novo Estádio Mané Garrincha segura mesmo o tranco das Copas da Confederação e do Mundo.

Mas o que me espanta mais – e me indigna – é o preço: R$ 80 a meia entrada do ingresso mais barato. O mais salgado chega a R$ 400. Parece até que de um lado estarão o Santos de Pelé e do outro, o Flamengo de Zico.

A exemplo do desfile das escolas de samba, cuja origem de espetáculo do povo e para o povo se perdeu há dezenas de carnavais, o futebol se distancia e se distanciará cada vez mais da população média brasileira (não da de Brasília, nossa Ilha da fantasia).

Acho que quase ninguém com aquele antigo perfil de torcedor tem 80 pratas para sacar de chofre, no fim de um almoço de domingo. Além disso, será preciso decidir com quase duas semanas de antecedência se irá ou não ao estádio. A delícia inesperada de ver ao vivo o time ganhar (ou a frustração de vê-lo perder) não cabe mais no futebol.

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Comentário (1)

  1. Denise Giusti -

    Não ligo à mínima para futebol. Mas, acompanho as notícias, seu texto é ótimo e verdadeiro. Futebol no Maracanã agora é pra rico.

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