André Giusti - foto: Luana Lleras
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Pedir socorro sem pedir

Uma das frases mais famosas de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, diz que “De onde menos se espera, de lá é que não sai nada mesmo”. Diversas vezes comprovei a assertividade da teoria de Aparício. Só quem nem tudo é absoluto, principalmente quando envolve pessoas. Existem aquelas que, pela convivência e amizade, sabemos que [...]

Uma das frases mais famosas de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, diz que “De onde menos se espera, de lá é que não sai nada mesmo”. Diversas vezes comprovei a assertividade da teoria de Aparício. Só quem nem tudo é absoluto, principalmente quando envolve pessoas.

Existem aquelas que, pela convivência e amizade, sabemos que estarão lá, nos estendendo a mão em momentos de dificuldade, e que nos enxergarão por dentro apenas olhando em nossos olhos, ouvindo nossa voz ao telefone.

Pelo menos em tese.

O problema é que a vida atual se amontoa de tal forma que pode muito bem impedir nossa percepção em relação ao outro, mesmo que esse outro seja aquele cúmplice de tantas épocas, aquele que, apesar do sangue diferente, é irmão ou irmã.

Quem sabe ainda muitos anos de amizade cristalizem a máxima do “ele sabe que pode contar comigo sempre, é só me chamar que eu vou”. Só que nem sempre o outro chama, às vezes quer ser descoberto em seu silêncio. Ou em seus olhos e voz. E aí o grande amigo não se faz presente quando mais precisávamos, porque não reparou que pedíamos socorro sem pedir.

Mas a vida também gosta da arte da compensação, e abre caminhos para que nos aproximemos, em horas doloridas, de pessoas que são no máximo boas colegas. E por alguma razão desconhecida, essas pessoas pegam e te ouvem, te entendem os olhos e a voz, te chamam pra sair porque sacam que você não pode ficar sozinho em casa, e se você quiser chorar, surpreendentemente te deixam à vontade para isso e te oferecem o ombro.

Agradeçamos, então, esses ombros, que apesar da pouca proximidade, fizeram-se providencialmente íntimos para o nosso consolo, nosso desabafo. Nos tornemos atentos a eles, a suas querências de desabafar e ser consolados.

Quanto aos amigos de sempre e de toda a vida, é necessário considerar também se sempre, e absolutamente sempre, percebemos que seus olhos estavam vazios e suas vozes aflitas.

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Comentários (2)

  1. Denise Giusti -

    Lindo texto e real, André. Precisamos estar atento ao outro, acontece que algumas vezes também no mesmo momento estamos precisando de colo e não conseguimos exergar.

  2. Fred -

    engraçado que as vezes, mesmo sem o contato, sem a proximidade temos a sensaçao de que algo acontece, e que talvez precisemos estar presentes.

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