André Giusti - foto: Luana Lleras
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Pixinguinha e o verdadeiro Brasil rico

A exposição sobre Pixinguinha, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília, é programa obrigatório para quem ainda cultiva amor pela memória nacional. A música era instinto do maestro que se formou nas escolas que a vida lhe ofereceu, quais sejam, os bailes, o carnaval, os salões, as sessões dos filmes mudos nos [...]

A exposição sobre Pixinguinha, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília, é programa obrigatório para quem ainda cultiva amor pela memória nacional.

A música era instinto do maestro que se formou nas escolas que a vida lhe ofereceu, quais sejam, os bailes, o carnaval, os salões, as sessões dos filmes mudos nos cinemas do início do século passado.

Pixinguinha é reconhecido como um dos três pilares da música brasileira. Divide o posto com Villa-Lobos e Tom Jobim. Sua trajetória já seria motivo suficiente para se visitar a mostra, mas o material sobre a vida de Alfredo da Rocha Viana Filho é envolvido por um pano de fundo tão importante quanto ela própria: a qualidade artística e cultural do Brasil do século vinte.

Pixinguinha não é parte da história da música brasileira, ele é uma parte da história não apenas da nossa música, mas da nossa própria cultura popular, tão rica justamente por ter nascido no lirismo das ruas de subúrbio, entre tantos outros lugares desse país. Na viagem por fotos, capas de discos, objetos pessoais e filmes de época, a exposição sobre a vida de Pixinguinha nos permite ter contato e querer conhecer também a história de outros gênios que, a exemplo de Villa – Lobos e Tom Jobim, cruzaram o caminho musical do maestro, tais como Noel Rosa e Vinícius.

O único problema da exposição é a nostalgia que ela nos deixa, uma espécie de acervo invisível que está por trás do material reunido, reveladora de um país que o Brasil já foi e parece ter desistido de ser, um país que não era potência econômica nem postulante a destaque na política internacional, mas que ao menos esteticamente era muito mais rico que o Brasil de agora.

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Comentário (1)

  1. Hugo Giusti -

    Muito bem captado André. Essa nostalgia nos deixa com um sabor de perda, parecendo que o mundo piorou…, mas acho que melhorou muito em outros. Vamos em frente!

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