André Giusti - foto: Luana Lleras
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Três dicas

Cada vez é mais necessário se prestar atenção à literatura brasileira contemporânea, ou seja, ao que se está escrevendo nos dias de hoje. Para contribuir com seu interesse, listo aqui três títulos recentes que fizeram andar a fila de volumes que tenho empilhados na estante lá de casa. Vamos lá! Não é à toa que [...]

Cada vez é mais necessário se prestar atenção à literatura brasileira contemporânea, ou seja, ao que se está escrevendo nos dias de hoje.

Para contribuir com seu interesse, listo aqui três títulos recentes que fizeram andar a fila de volumes que tenho empilhados na estante lá de casa.

Vamos lá!

Livro Marcelo

Não é à toa que o livro de Marcelo da Silva Antunes tem esse nome.

Seu texto é um corte seco, daqueles que a gente nem percebe que se cortou. Quando se vê, tá sangrando.

O livro traz a periferia para dentro de nossa casa, mas sem panfletarismos (existe essa palavra? nem sei…), coitadismos e que tais. O livro é o que rola.

Acho que Marcelo é autor iniciante, e como tal tem no que crescer (todos temos), mas já é promessa de grande contista começando a se concretizar.

Xadrez

Luiz Eduardo Carvalho não é o primeiro autor a usar troca de cartas em um romance, mas, pelo que lembro, é o primeiro a fazer um romance se passar inteiro (e por seis anos) em um vai e vem de correspondências.

A reboque, a história do Brasil na virada dos anos 70 para os 80 e um desfecho engenhoso que a gente só percebe mesmo no final (pelo menos eu só percebi no final) desse ir e vir dos carteiros.

Torto Arrado

Por fim, o romance de Itamar Vieira Júnior, que andou ganhando prêmio importante por aí. Aliás, por aí não: lá em Portugal.

Da mesma forma que Marcelo, Itamar fala de um Brasil distante da classe média, um Brasil que morre de fome e que a classe média acha que é exagero ou invenção.

Só que muda a geografia: sai da ‘perifa’ e vai pro sertão.

O livro do Itamar eu comecei outro dia, ainda não cheguei nem na metade, mas resolvi indicar por que acho muito pouco provável que eu me decepcione com o que estou lendo.

Então, como em tudo nessa vida, não se deve viver de passado. Sempre há de se ler os clássicos, mas com os olhos atentos às páginas que andam sendo escritas por aí e que nos levam a acreditar que sim, coisas boas estão sendo feitas nesse país vestido de desesperança.

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