André Giusti - foto: Luana Lleras
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Sensacionalista

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pt.dreamstime.com

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Recebi várias mensagens de amigos e parentes criticando os protestos dos artistas contra a extinção (felizmente revertida) do ministério da Cultura.

A linha mestra da crítica aos artistas é aquele mesmo samba de uma nota só: quero ver esses artistas protestarem contra a situação da saúde, dos hospitais públicos.

E mais além não vão, não arriscam qualquer argumento que prove a desnecessidade de um setor que emprega milhões de pessoas e é vital à sanidade mental da população não possuir uma pasta que cuide de políticas próprias para ele.

Todos que vi protestar na rede social, ou enviando mensagens via uatzápi, são brancos, de classe média e quando precisam metem a carteirinha do plano no bolso e vão lá no Sabin, na Rede D’or.

Que eu saiba, jamais se importaram, e muito menos protestaram, com a situação de qualquer hospital público.

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guiame.com.br

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Chamou a irmã do meio de branquicela, lagartixa e magricela.

Sua mimadinha! Ouviu em troca.

Eu te odeio, garota horrorosa! Encheu o peito e replicou.

O pai mandou que parassem, sem ânimo para investigar os motivos para aquilo tudo. Quando as três filhas brigavam, todas estavam certas, e, ao mesmo tempo, nenhuma tinha razão.

Apressou as três. Iriam ao laboratório. A do meio teria que colher sangue para exame.

Mas o que é tão banal virou confusão. A menina, ao ver a agulha espetá-la e a seringa ser tomada, de repente, por aquele tom grená que lembrava os vinhos do pai, empalideceu, revirou os olhinhos e desmaiou.

Acorreram enfermeiros de todos os lados. Puseram algodão embebido em éter em suas narinas, e a criança foi, aos poucos, voltando, mas bastante esmaecida; os lábios acinzentados recobravam a cor.

A enfermeira trouxe um lanche. Era importante acabar logo com aquele jejum de 12 horas, necessário para a coleta.

Entre as duas irmãs – a mais velha e a caçula – a filha do meio voltava a si, com um copo de chocolate encostado à boca e um pão de queijo erguido proximamente, esperando a hora de uma dentada.

E quem segurava o pão de queijo, carinhosamente preocupada, era ninguém mais ninguém menos que a mais nova, a mesma que apenas uma hora antes vociferara as piores ofensas possíveis para uma menina de nove anos.

- Ué, você não disse que odiava a sua irmã? – e o pai perguntou, irônico, um leve sorriso de quem conhecia o limite da raiva daquelas pequenas.

Ela quis segurar o riso, mas não conseguiu. Mesmo assim, não deu o braço a torcer.

- Eu odeio, mas não quero que ela morra.

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blogquestaodeestilo.com

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Exposição de Frida Khalo, Centro Cultural da Caixa, Brasília – DF.

A menina vira e fala alto, como se estivesse na mesa da sala de casa.

- Mãe, não tinha pinça na época dessa mulher não, é?

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mdemulher.abril.com.br

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Por muitos anos tentei disfarçar meus defeitos.

Tantas vezes engoli a seco e sorri amarelo buscando um disfarce em situações que me colocavam pele a pele com o que tenho de pior.

Não que eu quisesse parecer bonzinho.

O que eu não queria, por vergonha, era deixar claro como sou ruim.

Sempre me contorci, por exemplo, para não demonstrar ciúme, e não apenas de namoradas, muitas vezes de amigos também.

Ciúme é o código Morse da insegurança, que por sua vez desnuda uma pessoa frágil. E é preciso ter coragem para se mostrar frágil nesse mundo. Eu não tinha.

Mais que ciumento, rebolava para que não notassem como sou invejoso. Afinal, a inveja atesta pobreza de espírito, e como ser agente de um mundo melhor com essa condição?

São apenas dois exemplos dos penhascos obscuros da minha personalidade.

Na semana em que o calendário me pôs a dois passos dos 50, acho que cristalizei um processo iniciado lá pelos primeiros anos dos 40: assumir para mim mesmo quem realmente sou, me olhar no espelho como sou quando acordo, de cabelo amarrotado e barba por fazer. Pros outros, não me preocupar se não pareço um cara saído do banho, perfumado, com a roupa pega uma hora antes na lavanderia.

Tenho ciúmes e sou invejoso, e esses já são defeitos suficientes para justificar o que quero dizer aqui. Não preciso falar sobre os tantos outros.

Posso ter tanto ciúme de um ex-namorado de vinte e tantos anos atrás, quanto de um amigo que vai à casa de outro amigo em São Paulo, mas não vem à minha em Brasília.

Tenho inveja de quem viaja muito e viajou sempre pro exterior, de quem anda com notas de R$ 50 na carteira e dela as tira como se fossem de R$ 5. Ou até de R$ 2. Tenho inveja de quem compra, do nada, uma bela roupa, só porque estava passando pela loja e gostou do que viu na vitrine. E que vai sair dali sem a consciência pesada em relação às contas que vão vencer.

Assumir a bosta de pessoa que sou em determinados – e tantos – momentos me traz uma paz que eu não tinha quando lançava mão do disfarce.

E a consciência clara de quem realmente sou, e como isso me atrapalha, torna mais premente a necessidade de tentar mudar.

Se eu não mudar, não é por falta de conhecimento do que precisa se transformar em mim.

PS: Acho brega mandar flores pra mulher.
PS2: Tenho preconceito contra quem gosta de música sertaneja e de pagode.

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http://www.otempo.com.br/

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Por Carlos Oliveira*

A partir de amanhã poderemos desativar os departamentos de combate à corrupção da Polícia Federal, do Ministério Público, das Polícias Civis. Não precisaremos mais da Controladoria Geral da União nem muito menos dos Tribunais de Contas. Serão supérfluos de agora em diante.

Vamos comemorar! Enfim, depois de 516 anos de existência, com a saída do PT da Presidência da República, estaremos livres da corrupção. Nosso país agora será governado por gente extremamente honesta. Se fosse católico, de verdade, votaria pela a canonização de todos.

Ah! Também podemos fazer uma emenda à Constituição eliminando a figura das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). A partir desta quinta-feira serão inócuas. Não haverá mais corrupção para investigarem.

Aplaudamos! Em breve não precisaremos mais de políticas sociais, pois seremos um dos países mais iguais do Planeta. A fórmula econômica defendida pelo “novo” governo conseguiu eliminar a pobreza no mundo. Só faltava o Brasil.

Outra coisa digna de celebração: agora não vamos mais precisar de leis trabalhistas nem de Tribunais do Trabalho. Não haverá mais contencioso entre patrões e empregados, pois, com o novo governo, o clima será de harmonia total.

Não haverá mais exploração de mão de obra, salários e condições de trabalho indignas. Melhor, patrões e empregados sentarão à mesa em condições de igualdade para negociar.
A tão propalada reforma agrária vai sair. Não haverá mais conflito por terra no Brasil. Que estupendo!

Concluindo, as políticas econômicas “modernas” defendidas por Henrique Meireles, Armínio Fraga e companhia, em pouco tempo, farão do Brasil uma Suíça, Dinamarca, Alemanha.
Elas são criticadas por economistas ganhadores do Prêmio Nobel, como Joseph Stiglitz, Paul Krugman, entre outros, mas esses caras são uns imbecis. Não sei como ganharam uma premiação como esta.

Por que não enxerguei isto antes? Sou mesmo um inepto. Já deveria estar apoiando o “impeachment” há tempos.

Agora teremos um país justo, equitativo, honesto, com políticos exemplares, população unida, pensando no país. Viva! Vamos comemorar!

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www.meuportal.net

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Seguem algumas pequenas coisas que postei nos últimos dias em minha conta pessoal no feici búqui

1 – Ei, meninas! Prestem atenção em como o seu namorado trata a mãe dele. É o mesmo modo com que ele vai tratar vocês no futuro.

2 – Feriado no domingo é mais inútil que manual de ajuda do windows.

3 – Quando a fase tá ruim, nem ovo cozido sai direito.

4 – Má fé ou displicência? Um pote de sal – sem nada escrito – ao lado da garrafa de café sem açúcar, duas xícaras e duas colherinhas…

5 -Gente, na boa, abrir uma frase dizendo “Então”, quando se precisa explicar ou justificar algo, é muito, mas muito chato. Piedade.

6 – Todos os dias vale muito a pena ser pai, em alguns, vale mais ainda. Hoje, minha filha mais nova virou e disse: “Pai, bota Help pra eu ouvir!”

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www.faculdadedosaber.com.br

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Conheço-a há três dias. É copeira no lugar em que estou trabalhando no momento.

A alegria e o amor com que exerce seu ofício triplica a vontade de tomar café.

Sem nem saber ao certo seu nome, já tenho nessa mulher, uns 20 anos mais velha do que eu, simples exemplo para quem todos os dias precisa sair de casa e ganhar o pão de cada dia.

Quanto doutor empoado e quanta executiva estressada, espinafrando o primeiro que aparece, poderiam sentar, olhar o seu sorriso, ouvir seu bom dia afetuoso e aprender um pouco com essa mulher, que em cujas mãos é possível notar uma pele grossa com sinais das batalhas da vida.

E para não dizer que sou perseguidor das elites, lá vai: quanta copeira poderia imitá-la no modo de servir café e água.

Entre uma xícara e outra que me entrega e depois recolhe, me chama de meu filho. “Meu filho, você já almoçou?”, me perguntou agora há pouco, quando cruzou comigo pelos corredores. E já voltou avisando que tá saindo café fresco, “não demoro a trazer, meu filho”.

Foi lá na copa verificar a quantas anda a água na chaleira, sem imaginar o quanto de alento me oferece ao me tratar desse jeito, justo na semana do dia das mães e após quase 12 anos de orfandade.

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Divulgação

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Leio com grande satisfação, e sem conter a frase “Bem feito! Pra deixar de ser otário!”, que Danilo Gentili foi condenado pela Justiça a indenizar em R$ 200 mil uma doadora de leite materno.

Michelle Rafael Maximino conseguiu a façanha de doar mais de 420 litros de leite materno a maternidades e postos de saúde de Pernambuco. Ela é um assombro, sem dúvidas. É de se imaginar o quanto de fome de bebês subnutridos ou mesmo órfãos de mãe sua capacidade de doar matou.

Por isso merece aplausos, e não piadas. Quanto mais sem graça.

Pois o humorista – embora não mereça o título aquele que em vez de fazer piada pratica desrespeito – chamou de vaca a doadora.

Acrescentou ao deboche – e não piada – outras imbecilidades. Por elas, levou com o martelo dos tribunais.

O desconhecimento de Danilo Gentili não é apenas em relação ao humor. Ele – e também os que na cidade da doadora a ridicularizaram a partir da infâmia – não tem a mínima noção do que é o amor contido no ato de amamentar.

E menos ainda sabem o que é o amor contido no ato de ser solidário.

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www.estudopratico.com.br

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O Brasil não é surreal. É absurdo mesmo.

Surreal, estilo que consagrou Salvador Dali, guarda muita beleza, embora num primeiro momento possa nos parecer estranho.

Absurdo não guarda beleza alguma e sempre será estranho, embora no Brasil tenhamos nos acostumado a ele.

Senão, o que pode explicar que uma Presidente da República, contra a qual não há provas concretas, esteja na iminência de perder o cargo para o qual foi conduzida por cerca de 54 milhões de pessoas?

Mais difícil ainda de explicar: todo esse empurra-empurra Dilma pro abismo está sendo capitaneado por um homem que é réu na mais alta corte do país. É réu porque está provado que mentiu. É réu porque está provado que tem dinheiro sujo e não declarado no exterior. É réu porque pagou com esse dinheiro mimos e luxos pra mulher e pra família.

Como auxiliares do réu mor, a julgar por corrupção alguém contra quem não há nada provado, dezenas que são acusados e investigados por corrupção.

E metade da população aplaudindo o cadafalso à margem da lei.

Não, o Brasil não é surreal.

É absurdo, vivendo em total plenitude e como nunca a sua loucura.

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