André Giusti - foto: Luana Lleras
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O peso opressivo de dezembro e suas obrigações

Escrevo com uma certa segurança de que não falarei apenas por mim. A cada ano gosto menos das festas de fim de ano. A chegada do natal e a badalação do ano novo me deprimem. Não consigo, de verdade, sentir essa tal vibração fraterna ou esperança em novos tempos. Em meio à pretensa alegria que [...]

Escrevo com uma certa segurança de que não falarei apenas por mim.

A cada ano gosto menos das festas de fim de ano.

A chegada do natal e a badalação do ano novo me deprimem. Não consigo, de verdade, sentir essa tal vibração fraterna ou esperança em novos tempos.

Em meio à pretensa alegria que a maioria das pessoas na verdade se obriga a sentir, o que sinto na verdade é melancolia, nostalgia, ansiedade para que esses dias passem rápido.

Fico tenso, tenso pacas, uma panela de pressão esquecida no fogo. Para mim, nenhum mês é mais nervoso e irritadiço do que dezembro, com suas lojas americanas apinhadas de gente se estapeando pelo panetone (ruim) que dá azia.

Nada mais opressivo do que as tais festas de confraternização no trabalho, nas quais desfilarão sorrisos amarelos de quem o ano inteiro cruza contigo no corredor e nem te dá bom dia.

Papai noel

Dezembro, nesses moldes de histeria consumista, poderia ter apenas 15 dias, ou os dias terem apenas 12 horas. Seria um alívio.

Me explicaram que esse sentimento advém das perdas que tivemos ao longo da vida, da impossibilidade de estarmos, justamente num período de aproximação entre as pessoas, juntos de alguns que nos deixaram e que no fundo, no fundo, por mais que a gente ache que se acostumou, foram na realidade perdas irreparáveis.

Órfão de pai e mãe, divorciado e etc e tal sou passível de compreender a explicação e atémesmo ilustrar a teoria.

É difícil, mas tô tentando fazer com que dezembro seja bem mais reflexão e menos, bem menos hi-pi hi-pi urra urra!.

Quem comemora o natal é porque em alguma medida acredita no aniversariante, mas a cada ano parece que mais e mais a mensagem do cara se perde nos corredores lotados dos shoppings e nas mesas de fartura exagerada, com aquela comida que já no dia seguinte ninguém, na verdade, aguenta mais.

Vejo muita gente pedindo que 2017 acabe logo. Foi assim com 2016, 2015. Deve ter sido assim com 1972. Será com 2018.

Quero menos a espuma dessa alegria forçada. Menos ‘bebeção’, menos rabanada dura de tanto açúcar, carne de porco brilhando de gordura e aquele peru da sadia seco e sem gosto.

Tá foda de conseguir, mas tô procurando olhar melhor pro fundo da minha cuca pirada e ver como posso ser menos pior do que sou, já amanhã, ainda em 2017.

Tô numas de querer um eu melhor pra 2018 do que fui em 2017.

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Comentário (1)

  1. Andréa Coelho Negri -

    André, muito bom!!! Voce escreve muito o q está na minha alma mas q não exponho pois não tenho esse dom maravilhoso que Deus lhe deu!

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