André Giusti - foto: Luana Lleras
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Ouvi hoje: Acidente com caminhão da yakult mata milhões de lacto bacilos.

(Quem tem mais de 40 vai entender)

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1. É claro como água, para mim, que a opção pela iniciativa privada para fazer a segurança dentro de um estádio, numa partida de futebol, foi movida pelo mais puro – e sórdido – interesse econômico.

O crescimento do mercado da segurança privada é algo consolidado no país há muitos anos, alimentando-se justamente de outro crescimento: o da criminalidade e da consequente insegurança da população.

No comando dessas empresas estão, em boa parte, oficiais da Polícia Militar, a mesma que ficou do lado de fora do estádio em Joinville, enquanto bandidos (não torcedores) se matavam, ameaçando a integridade dos verdadeiros atleticanos e vascaínos.

É bom lembrar que ano que vem é ano eleitoral e as firmas de segurança financiam candidatos. Então, nada melhor do que encerrar 2013 engordando o pé de meia com o dinheiro público, para logo logo, bancar o deputado e o senador, que retribuirão cedendo ao lobby no parlamento.

Os comedidos, muito mais por medo do que por respeito a alguém ou algo, virão com a ladainha do “não se pode acusar sem provas”.

O problema é que no Brasil o costume tá virando o maior comprovante da corrupção.

2. Leio em algum canto que no jogo entre Vasco e Corinthians, em Brasília, a segurança no estádio ficou por conta da inciativa privada. Quem estava lá, viu de perto – ou sofreu na pele – o que aconteceu.

O Brasil é um país que se recusa a aprender com seus próprios erros.

3. Eu não consigo entender como o Vasco, que há dois anos – 2011 – só não foi campeão brasileiro por aqueles caprichos do futebol (e também porque houve muito favorecimento ao Corinthians), vai parar de novo no fundo do poço.

Se não entendo o Vasco, menos ainda compreendo o Fluminense: com dinheiro, patrocínio e campeão brasileiro, chafurdando no vexame.

“Parabéns”aos dois pela proeza.

4. Posso até estar embalado pela emoção indignada de ver a estupidez em Joinville, mas a cada dia perco mais a vontade de torcer pela seleção na copa, na copa que será em nosso país.

E quando penso no tal do legado que as cidades teriam, que a copa melhoraria o transporte, e isso e aquilo outro, toda essa balela que nos venderam para apoiarmos o evento, aí mesmo é que me vem um desejo de que essa seleção, que não me representa, vá pras cucuias com requintes de crueldade: 3X0 pra Argentina em pleno Maracanã.

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1.

Por esses dias assisti a um trecho de uma entrevista que Nelson Piquet concedeu à Marília Gabriela poucos dias após a morte de Ayrton Senna.

A jornalista perguntou por que Piquet não foi ao enterro do companheiro de profissão.

Com a língua ferina que o fez tão famoso quanto seu talento num cock pit, Piquet respondeu que não eram amigos, não se davam, tiveram problemas e ele não iria ao funeral apenas para proveito da própria imagem. Citou Alain Prost, lembrando que o francês espezinhou e falou mal de Ayrton a vida toda, e estava lá segurando a alça do caixão em pose consternada para as câmeras.

Hoje pela manhã, assistindo à cobertura sobre a morte de Nelson Mandela, ouvi se manifestarem, consternados feito Prost, chefes de governo e também jornalistas que no curso da história, pelo que me consta, não apenas jamais disseram um ai contra o apartheid, mas também, tradicionalmente, se eximem de se levantar contra as injustiças sociais, seja na forma racial, de gênero ou econômica. No caso de jornalistas, bombardeiam, inclusive, inciativas que vão no sentido de reduzir a disparidade entre as oportunidades oferecidas a brancos e negros no Brasil. A política de quotas é só um exemplo.

Às vezes um pouquinho de Piquet em cada um de nós caberia bem.

2.

Amiga minha reclama no feicibúqui da santificação que a imprensa, no geral, sempre faz quando uma personalidade do quilate de Mandela retorna à verdadeira vida.

Diz, com razão, que ninguém é bom o tempo todo.

Defeitos são inerentes ao ser humano, por mais que brilhe a luz do sol no coração da criatura.

Mas a diferença de algumas pessoas para outras não é somente o fato das virtudes serem maiores e existirem em número bem superior aos defeitos.

A diferença é que os defeitos dessas pessoas não atrapalham a vida de ninguém.

Mandela

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Ouço uma das repórteres de que mais gosto da TV Globo em Brasília dizer que o bandido “efetuou três disparos”.

Qual a dificuldade que há em informar ao público que o bandido “deu três tiros” ou “atirou três vezes”?

Provavelmente a mesma que há em dizer que “o motorista estava dirigindo bêbado”, pois a opção parece que precisa ser, necessariamente, a mais complicada e pobre estilisticamente: “o motorista estava sob efeito de álcool” ou (pior ainda) “dirigindo após ter ingerido bebida alcoólica”.

Ninguém que encontre um amigo que tenha enchido a moringa vai contar para os outros que o viu após “ele ter ingerido grande quantidade de bebida alcóolica”. Vai é contar pra todo mundo que fulano “tava mamado”, “bebeu tudo” ou simplesmente estava bêbado.

Guardadas as devidas distâncias que o texto jornalístico deve ter da linguagem coloquial, ele deve estar muito mais próximo dela do que da linguagem intrincada e pedante da Polícia, das repartições públicas, dos administradores de empresa, dos advogados e dos médicos. Quando escrevem, geralmente todos esses acham que fazê-lo bem é fazê-lo difícil, e nós, jornalistas, estamos caindo nessa esparrela.

Principalmente os repórteres jovens, em sua maioria estão escrevendo como velhos, não se dando conta de que o dever profissional nos impõe traduzir para o homem comum o linguajar dos diversos profissionais com quem lidamos dia a dia.

Parece mesmo que no lugar de ensinarmos aos outros como se comunicarem de forma mais simples e objetiva, e por isso mesmo mais bonita, eles estão nos “ensinando” a escrever complicado. E feio.

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pedrinho

Descobri o mundo de Monteiro Lobato por meio da literatura e logo depois por meio da TV, na segunda metade dos anos 70, no seriado com Zilka Salaberry, Jacira Silva, Julio César, Rosana Garcia e Dirce Migliacio, entre outros.

Por aí, há de se ter uma ideia da importância da telinha na formação cultural da minha geração, com certeza a primeira a ser realmente impactada pelo veículo de comunicação que mudou o comportamento da humanidade no século 20.

Se vinha pelas páginas ou pelas imagens via satélite, me era indiferente: o fascínio que Lobato exerceu sobre mim me construiu como leitor, me ajudou a ser criança. As denúncias de que era racista, e que me parecem procedentes, são contra a pessoa. Para mim, não arranharam o brilho do autor, até porque não necessariamente um grande artista será um grande ser humano.

Mas a porta desse mundo de magia e aventura foi Caçadas de Pedrinho, terceiro ou quarto título da série infantil mais famosa – alguém duvida? – da literatura brasileira. A época, eu morava numa casa antiga no Grajaú, bucólico recanto da zona norte carioca. Havia um quintal com plantas viçosas e uma goiabeira, cujos troncos formavam uma forquilha onde eu adormecia.

Era difícil existir um menino que, tendo lido ou assistido ao Sítio do Picapau Amarelo, não tenha querido ser o Pedrinho. Não, ele não era nosso ídolo: ele era o que queríamos ser em nossas brincadeiras. Tenho certeza de que naqueles tempos eu fui, ao meu modo, um pouco, ou até muito o Pedrinho, porque, sem dúvida, aquele quintal no Grajaú era o meu Picapau Amarelo.

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Torcedor

Não enxergo despautério maior do que sofrer por causa de um time de futebol.

Quanta energia desprende o ser humano, em sua existência de finitude inexorável, em se abalar por causa de 22 sujeitos tentando domar os caprichos de uma bola. Quanto dessa energia poderia ser empregado por ele em algo que o melhorasse como pessoa e, por conseguinte, melhorasse também a vida ao redor de si.

Qual propósito em atravessar os dias que antecedem uma final de campeonato em estado de angústia permanente? Enquanto mastiga dentro do peito esse sentimento opressivo, o homem não percebe as dádivas que a natureza o oferece desde os primeiros minutos da aurora às estrelas distantes da noite.

Tudo por causa do futebol.

Que pobreza espiritual enxergar em detalhes bestas sinais de que há conspiração favorável ou contrária a seu time no dia da peleja decisiva. Que influência terá no resultado mudar o local de assistir ao jogo ou vestir uma roupa diferente daquela que se trajou na última vitória?

Quanto atraso emocional no grito enlouquecido na janela, acordando a vizinhança no início da madrugada, na hora que o juiz apitou o fim do embate por um troféu que ele, torcedor, nem sequer verá de perto. Nenhuma diferença fará em sua vida o time A, B ou C levantar a taça.



(Meu Deus! Como sou pobre de espírito e atrasado emocionalmente!)

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Asa Norte, Campus do UniCeub, 27/11, 19h

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Rogeriano Cardoso/ Estado de Minas
Desastre

Ótima reportagem exibida hoje nos telejornais da TV Globo mostra que os motoristas de caminhão estão pegando as estradas sob o efeito de álcool e drogas.

Nada que ninguém saiba.

A novidade me parece ser a variedade de substâncias, que aumentou, bem como a quantidade.

O crack que a cada dia aumenta as legiões mortos vivos nas ruas das grandes cidades, é o mesmo que está sendo consumido por homens que dirigem veículos que pesam 13, 15 toneladas.

Ao repórter, um caminhoneiro conta que já ficou cinco dias sem dormir, a base de rebite, para cumprir o prazo estipulado pela transportadora.

Com tanta pedra, pó, fumo, comprimido e birita na cabine, passar por uma carreta numa rodovia brasileira é como brincar de roleta russa.

Resolução do Conselho Nacional de Trânsito, Contran, tenta conter a água que jorra dessa fonte de tragédias nas estradas brasileiras. Se o caminhoneiro que for renovar ou tirar a carteira for pego numa espécie de exame antidoping, não conseguirá o documento. A intenção é boa e a providência é urgente.

Mas aí a gente lembra que alguém no laboratório pode ser subornado para alterar o laudo do exame. Lembra que poderá haver também o guarda rodoviário aceitando dinheiro para deixar seguir viagem o motorista que não renovou a carteira.

Pior que a combinação explosiva que mantém rodando as carretas pelas rodovias será sempre a corrupção, nesse caso específico se sobrepondo à lei para ceifar vidas no asfalto.

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Onde estarão, agora, os integrantes do movimento Procure Saber? Provavelmente junto aos que criticavam o Programa Mais Médicos, fazendo o “silêncio dos que não têm mais o que dizer”.

A reportagem é simplesmente da TV Globo.

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muros1Abaixo os muros limpinhos que não dizem nada!

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