André Giusti - foto: Luana Lleras
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Beibi, essas nossas noites vazias doem feito luto.

Voltar pra casa às cinco da manhã quando se tem 20 anos

é sinal de vida, é aventura. É normal.

Na metade dos 40 é só disfarce pra solidão.

So lonely

 

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Qualquer senso crítico mais aguçado perceberá que algumas práticas corriqueiras e históricas no serviço público são absurdas.

Isoladamente podem até não ser, mas repetidas automaticamente, dia a dia, ao longo de décadas, tornam-se absurdas devido justamente ao montante considerável de tempo.

Na inciativa privada, quem quiser tomar o cafezinho que move melhor a roda do expediente tem que pegar na copa. Em alguns casos, a própria pessoa precisa fazer.

No serviço público, uma copeira uniformizada prepara o café para que um garçom vestido de pinguim percorra todas as salas de uma repartição servindo cada um, de mesa em mesa.

Ao longo dos anos, o salário de cada copeira e cada garçom nas repartições públicas saiu do bolso contributivo do trabalhador.

O Brasil tem uma vocação nata de servir – com tons de bajulação – a quem na verdade é pago para servi-lo.

No Congresso Nacional há elevadores privativos destinados aos deputados e senadores, como se eles fossem pessoas de casta superior que não pudessem se misturar a quem, de forma direta, os colocou lá e trabalhando paga os impostos que lá os mantém.

Mas, claro, privilégio não é privilégio do Legislativo. Dia desses, no Ministério da Saúde, um dos elevadores esperava há quase meia hora com a porta aberta e ascensorista lá dentro, com cara de paisagem. É que a qualquer momento o ministro sairia do gabinete com destino a algum compromisso.

O servilismo tupiniquim a deputados e senadores é o mesmo que parece achar que a saúde no país para ficar melhor ou pior depende de o ministro esperar ou não o elevador chegar.

paulo-portas-ascensorista

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É relativamente fácil explicar porque determinados programas de TV estão no ar há tantos anos. Aliados, formato e produção fizeram – e fazem – com que atravessassem décadas no vídeo dos brasileiros, marcando religiosamente a hora do dia, o dia da semana. Mesmo que eu passe longe da TV na hora em que estão sendo exibidos, tenho que admitir que é o caso do Fantástico, do Domingão do Faustão, do Gugu, do Vídeo Show (Meu Deus! Será que não há um exemplo de bom gosto?).

Mas como explicar a permanência – e o sucesso – do Chaves? Se não me engano, ele, Chapolin, Kiko, seu Madruga e os demais já estão arrancando risadas da segunda geração de brasileiros. Agora mesmo, enquanto escrevo, minhas filhas perdem o fôlego de tanto rir na sala. Pela frieza lógica da produção televisiva de hoje, calcada na tecnologia, nos efeitos, no apelo visual, seria inxistente um lugar para Chaves e seu tosco aparato mexicano de cenários, de mixagem e edição de fundo de quintal. Se fosse automobilismo, diria que um Fiat 147 se mantém na pista ao lado de Ferrarris, Masseratis, Porsches.

Precisei lançar meu olhar de pai para entender a durabilidade de Chaves na TV. Ele se porta como criança, foi a conclusão a que cheguei. Faz as mesmas trapalhadas que seus telespectadores fazem ou gostariam de fazer, e da mesma forma inocente, pura, relaciona-se com o Kiko, com a Chiquinha, figuras facilmente identificáveis por nossos pequenos com o amiguinho da escola, a coleguinha do prédio. Daí cheguei à conclusão do óbvio, mas que parece ignorado pela mídia talvez nas duas últimas décadas: a criança, por ela mesma e sem interferência, quer ser tratada como criança, e não como projeção de adulto – mini gente grande  – usando sapatos de salto, maquiagem, roupas que antecipam a sexualidade e vivendo experiências que ela, pela própria característica biológica, não consegue processar.

Provavelmente os produtores de Chaves nunca pensaram em chegar ao sucesso evitando essa “antecipação” de uma maturidade restrita ao invólucro, mas acabaram acertando em cheio.

*Publicado em agosto de 2011

Chaves

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Ah, aquele biscoito que quem sentou na mesa do café do shopping antes de você deixou intacto na bandeja que a garçonete esqueceu de recolher!

Biscoito

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Otário

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Bikes

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Meu Beatle preferido sempre foi John Lennon.

Também pela música (o mais rockeiro dos quatro), mas muito mais pelo comportamento. John foi a personalidade da banda. Sem seu jeito debochado e sua atitude de enfrentamento, o pensamento do mundo talvez não tivesse evoluído tanto nos últimos anos.

Mas isso não significa não amar George e Ringo.

Isso não significa não amar Paul, que, reconheço, é o melhor compositor entre eles.

Quem foi ontem ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, viu um artista muito, mas muito longe mesmo de qualquer sinal de decadência. E isso após mais de meio século de carreira. E isso aos 72 anos de idade. Em alguns momentos, pensei que estava ouvindo a música diretamente de um dos CDs dos Beatles ou do Wings, tal a perfeição como ele canta, exatamente como há 40, 50 anos atrás.

Paul McCartney não tem apenas o domínio do palco e do público. Ele tem o domínio pleno sobre a música. Poucos músicos parecem ter tanta intimidade com ela – a música – como ele tem.

Ontem, John, saí do show pensando que, se por acaso havia na humanidade alguma dúvida, não há mais: você, em vida, teve, definitivamente, um parceiro a sua altura.

Lennon-and-McCartney-3

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Subestação de luz Asa Norte - Brasília

Subestação de luz
Asa Norte – Brasília

 

 

 

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c/ Sérgio Maciel

Meu amigo prepara a pequena câmera digital amadora e a pousa no tripé, que apesar da aparência frágil, tem boa sustentação, mesmo fincado na brita do estacionamento do Estádio Mané Garrincha.

Dos cultuados anos 80 à segunda década deste século de revolução tecnológica, são 31 anos de amizade. Muita gente, nesse país e mundo de tragédias e barbáries, não chega a soprar tantas velas no bolo.

Apesar desse tempo todo, é a primeira vez que vem a Brasília, e esta será nossa primeira foto na cidade.

Ele ajeita com preciosismo tanto a câmera quanto o tripé, e mesmo com o equipamento pronto para disparar, ainda checa um último detalhe.

- Vem logo, caralho, senão tu não sai na foto! – digo alto, ao que ele responde com uma corridinha em minha direção, ainda ágil feito um garoto, apesar dos 47 anos.

Abrimos os sorrisos e assim ficamos por aqueles segundos que parecem eternos, antes que a foto seja batida. Ouvido o clique da máquina, nos desfazemos da pose, dizendo as mesmas barbaridades que dizíamos um ao outro quando tínhamos 15 anos.

Ele pega a câmera e faz ar de surpresa.

- Ih, cacete! Sei lá o quê eu fiz que ela bateu uma porrada de foto da gente andando…- e ele me mostra a sequência de nós dois lado a lado, dando passos à frente, braços jogados, sorrisos naturais, jeito espontâneo. O que não foi programado é muito melhor do que a foto em que cruzamos os braços e prendemos a respiração.

- Parece foto de capa de disco…- ele diz me mostrando uma em especial, em que nossos sorrisos parecem mais sinceros, levando a crer que a vida não precisa mesmo de muita coisa para valer a pena.

Talvez precise, basicamente, ser verdadeira e autêntica, sem fingimento ou poses forçadas, feito alguém que aparece bem numa foto sem saber que foi fotografado.

Eu e sérgio efeito

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Um dia,

prometo,

eu ponho a cabeça no lugar

e conto pro mundo inteiro

os benefícios físicos e mentais

de surtar de vez em quando.

SURTANDO

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