André Giusti - foto: Luana Lleras
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Não há como, depois de tudo, te desejar o bem. Agradeça meu sincero esforço em não te desejar o mal.

blog.cancaonova.com

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Enquanto não publico meu livro Os Filmes em que Morremos de Amor, vou postando os poemas na minha fã peigi no feici búqui. Um deles é este, que integra uma sequência chamada O Rio de janeiro, fevereiro e março, sobre o cada vez mais quente verão carioca. Dá uma conferida lá. O endereço da página é este: https://www.facebook.com/home.php . Boa leitura.flamboyants

O Rio em janeiro, fevereiro e março.

V.

Os flamboyants sangrando
nos galhos suspensos
são corais que se entediaram do mar
e foram viver nas árvores.
Outras flores
de nomes confusos
esperam entardecidas
o vento furioso
de um provável temporal.
O sol é um tigre asiático,
devora meus ombros
com fome de três dias.
Samambaias avencas
begônias jiboias
por trás dos muros que fervem
rezam pela misericórdia
da brisa.
As sombras heroicas
irredutíveis
montam guarda
embaixo das mangueiras
das amendoeiras
e aguardam que cheguem
suas irmãs noturnas
recortadas pela lua.
Deus é um pintor de horas vagas
que carrega nas cores
de vez em quando.
*
(1995)

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No centro de um planalto vazio (nem tão vazio assim mais)

Final da Asa Norte, 17/1/2015

Final da Asa Norte, 17/1/2015

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Reparem que um pouco abaixo dela há um pontinho em forma de cruz. É um avião.

Via S2, 7h

Via S2, 7h

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Não é minha praia musical – os que me conhecem sabem -, mas vale muito a pena, muito mesmo, ouvir o Brasil Caipira, com o Luiz Rocha, na Rádio Câmara, 96,9 FM, Brasília. Música caipira de raiz, que, pela autenticidade, se assemelha a uma das minhas paixões, que é o blues de Chicago.

Atenção! Não é sertanejo de quem pegou a mulher na cama com três, é moda de viola traduzindo o sentimento do homem do campo, sentimento que apesar da incontrolável urbanização da população brasileira ainda representa bastante a alma do nosso país. O programa é pra quem pula da cama com as galinhas, começa às cinco da matina.

Aí você aproveita e logo em seguida, às 7h30, ouve o Com a Palavra, noticiário que estou apresentando agora em janeiro – nas férias da titular, Elisabel Ferriche – ao lado do Lincoln Macário Maia.

Confira!

http://www.camara.leg.br/internet/radiocamara/?lnk=RADIO-AO-VIVO&selecao=VIVO

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Seu lado na cama era o do meio.

dormindo

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Esplanada dos Ministérios, 6h55

Esplanada dos Ministérios, 6h55

Via S2, 7h03

Via S2, 7h03

 

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Meninos, eu vi!

E ouvi.

E dancei, e me esbaldei e fiquei todo cagado do lamaçal que virou aquele terreno lá nos cafundó do cafundó que sempre foi Jacarepaguá. E assim, imundo, maltrapilho, cheguei de manhã em casa no dia seguinte pro horror dos meus pais, apavorados com meu sumiço, pois houve época em que não havia celular para rastrear os filhos. E de manhã, imundo e feliz, cheguei igualmente nos outros dois dias de show a que fui assistir.

Jamais vou me esquecer do Fred Mercury há menos de cem metros de mim cantando We Will Rock You; do David Converdale girando que nem um doido o pedestal do microfone; do Rod Stewart chutando bola pro alto pra cair na platéia; do Iron Maiden e do AC/DC, bandas ainda tão jovens na época, enlouquecidos e enlouquecendo; da louca da Nina Hagen; das viadagens oitentistas do B`52; do Lulu Santos praticamente ainda um moleque, bem longe de ser um coroa chato; do Hebert Viana de óculos e magrinho; do Barão com o Cazuza e o Cazuza anunciando que o Tancredo havia sido eleito e que acabara de acabar a ditadura militar no Brasil. Não, o Legião Urbana não foi, era ainda uma banda pouco conhecida que havia lançado o primeiro disco alguns dias antes.

Meninos, eu vi!

E ouvi. E me acabei naquele janeiro cada dia mais distante, e imundo de lama, insone e feliz (feliz demais), assisti a bem mais do que um festival de Rock (95% mais Rock do que hoje): assisti à história acontecer.

Rock in Rio 2

 

Fotos do acervo do Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil - CPDoc JB http://www.jb.com.br/rock-in-rio-2011/memoria/

Fotos do acervo do Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil – CPDoc JB http://www.jb.com.br/rock-in-rio-2011/memoria/

 

 

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Dezenas de pessoas foram mortas nos últimos dois dias na cidade de Baga, na Nigéria, a principal economia africana. Segundo o jornal Britânico The Guardian, o massacre foi praticado por militantes islâmicos de um grupo identificado como Boko Haram. Ainda de acordo com o jornal, essas pessoas eram civis, moradoras da região. Como a covardia é característica imprescindível à barbárie, entre os mortos estão crianças e mulheres. No último ano, dez mil pessoas foram mortas em ações semelhantes praticadas pela insanidade.

Eu sou Baga.

Porque a estupidez merece nossa indignação nos cinco continentes, e não apenas na Europa ou na América.

Pius Utomi Ekpei/AFP/Getty Images

Pius Utomi Ekpei/AFP/Getty Images

http://www.theguardian.com/world/2015/jan/08/boko-haram-nigeria-baga-town-attack-kill-civilians

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fumace

A infância é uma das fases da vida mais cercada de símbolos materiais que a representam. Todos temos na lembrança uma tampinha de refrigerante, um álbum de figurinhas, a boneca da Estrela ou o carrinho de autorama que nos remetem aos primeiros anos.

No meu caso, a estes acrescento o carro do fumacê. Para quem não está ligando o santo ao milagre explico que é um pequeno caminhão ou pick up com uma espécie de canhão na carroceria,   que passa pelas ruas borrifando remédio para matar mosquitos.

Reside nele uma das principais lembranças dos verões cariocas de minha meninice: o barulho do equipamento lá fora, passando pela rua do subúrbio carioca e, instantes depois, o cheiro enjoativo do inseticida entrando pela casa. Aliás, a recomendação era que as pessoas deixassem as janelas abertas justamente para que o remédio entrasse e desse cabo da mosquitada. Estranha configuração a da minha memória de verão: calor, praia, picolé da Kibon, banhos de mangueira e…fumacê jogando inseticida.

Eis que hoje, às 5h30, o que ouço romper a quietude do fim da madrugada no Planalto Central, 1.200 km distante do subúrbio que ainda me dói a alma? O bizzzzzzzzzzzzzzzzzz irritante seguido em menos de dois minutos pelo cheirinho de inseticida. Mantive abertas as janelas, que assim já estavam por causa do calor que também assola Brasília. Provavelmente, o alvo é o mosquito da dengue. O cheiro, e mesmo o barulho, estão mais fracos do que há 40 anos, ao contrário da minha memória, ainda tão intensa.

Não sei se o fumacê resolve mesmo para matar mosquito, mas serve bem pra dar saudade em homem grande que ainda espera ter muita vida pela frente.

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