André Giusti - foto: Luana Lleras
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1 – É desumana a repetição das imagens da mulher sendo arrastada pelo carro da Polícia Militar no Rio. A essa altura da cobertura jornalística, mais de 48 horas após o acontecido, é de se perguntar que informação ela agrega ao esclarecimento dos fatos, que por causa da própria imagem já são por si só extremamente claros. A única soma que trazem é de dor ao desespero da família.

2 – Digamos que, por uma hipótese absurda, uma parte do México ou do Canadá se rebelasse e decidisse se anexar aos Estados Unidos. E que essa decisão fosse tomada pelo parlamento local, com base numa consulta popular de maioria esmagadora a favor da anexação. Haveria toda essa comoção mundial que não leva em conta a decisão soberana de um povo?

3 – Com essa história da Crimeia, quem tá Putin é o Obama.

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Daqui a duas semanas, o golpe militar de 1964 completa meio século. Não há como nominar aquele movimento de outra forma: foi golpe, pois retirou do poder um presidente escolhido pelo povo, e no caso de Jango com o particular de que à época votava-se também para Vice-Presidente da República, ou seja, ele não chegou lá com os votos dados a Jânio Quadros.

Para “comemorar” essa o meio século do início de um dos períodos mais trevosos da vida nacional, todos os dias postarei em meu blog e também no feci búqui links de músicas que combateram ou falaram da ditadura militar no Brasil. Tudo para que não deixemos que se repita o período que dizimou vidas e famílias e atrasou não apenas o desenvolvimento material da nação, mas também a sua própria inteligência.

A música é certamente o gênero artístico mais tocante ao coração humano, tanto para falar de amor quanto para denunciar a tirania.

O mínimo de visão histórica sobre o período me impediria de começar esta série com outra canção que não fosse esta:

https://www.youtube.com/watch?v=1KskJDDW93k

PS: Quem quiser me mandar links – pro blog ou pro feici – fique à vontade.

Marcha da família

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A borboleta Amarela

Chego a pensar que hoje esta coluna do blog deveria se chamar, excepcionalmente, Escritores da Minha Vida.

Para mim é bem mais fácil falar de Rubem Braga do que de um livro dele em particular, mas como a proposta é esta, escolhi falar primeiramente de A Borboleta Amarela, minha porta de entrada no mundo de um autor que foi bem além de participar da minha formação como leitor.

Lendo o velho Braga, em A Borboleta Amarela, fui assaltado pelas primeiras certezas de que minha profissão seria mesmo o jornalismo. Logo depois, na adolescência, a puerilidade dos meus poemas de início já era acompanhada por aquela permanente solidão do homem na cidade, que tanta poesia emprestou às páginas frias dos jornais em que Braga trabalhou durante décadas.

Pois escrevendo prosa, Braga fez poesia urbana e quotidiana, ou seja, nada mais suficiente para ser poeta.

O verão e as mulheres

Anos mais tarde, ao ler O Verão e as Mulheres, deparei com dois dos mais belos textos da literatura brasileira (embora muita gente torça o nariz e não considere literatura o gênero que consagrou meu mestre e de tantos): a própria crônica que dá nome ao livro e sua versão masculina, ou seja, O Verão e os Homens.

Nas poucas vezes em que releio meus contos já publicados, percebo o espírito do velho Braga conduzindo várias histórias também em minha fase adulta de escritor, e admito que, mesmo que com milhas de distância para sua capacidade de tornar lindo o banal, eu tento fazer o mesmo.

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Por trás do concreto, surge o monstro de algodão.

Setor Comercial Sul, 13h15

Setor Comercial Sul, Brasília, 13h15

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*Por Renata Gonzaga

Saí da universidade há 21 anos. E acho que devo voltar ao ensino fundamental. Sou completamente incapaz de ajudar meu filho de seis anos a fazer o dever de casa. Era mais ou menos assim. Depois do poeminha, o autor perguntava a opinião do aluno sobre o que a poetisa queria dizer no último verso. Amarelei. Não consegui ajudá-lo a ter uma opinião quando ele ainda tenta entender o que são versos, estrofes, poemas. O mesmo livro de português introduz a definição de “variedades linguísticas” e questiona a eficiência da propaganda boca a boca numa tirinha do Menino Maluquinho.

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Como me senti incompetente para responder, incentivei meu filho a escrever simplesmente “não sei”. Desculpe, mas o professor que é pago para isso que o ajude. E lamento mais ainda quando penso na frustração de pais que tiveram pouca instrução e se sentem ainda mais impotentes na hora do dever de casa. Uma lástima.

Outro dia fui chamada na coordenação da escola e ouvi o mesmo diagnóstico que recebi quando meu filho tinha três anos de idade – o aluno é disperso, desatento, não consegue acompanhar a turma e precisa de atendimento psicopedagógico. Mais uma vez penso nos pais que mal conseguem dar conta da escola. Como pagar acompanhamento extra? Três anos atrás o levei para avaliação de uma profissional indicada pela escola. Depois de quatro sessões ela afirmou que o aluno não precisava das sessões. Estava apto como qualquer outro menino da idade dele. A escola insistiu no diagnóstico que a profissional contestou. Então, decidi levá-lo às sessões durante seis meses, até receber alta. A coordenação continuou achando que ele tinha o tal do déficit de atenção. Ainda tentando ajudar a escola a ajudar meu filho, levei-o a uma psicóloga, supondo que o divãzinho poderia integrá-lo mais às aulas. Depois de um ano de tratamento, alta novamente.

Este ano eu decidi que não vou mandá-lo a nenhum consultório. Se meu filho está fora do estreito intervalo padrão de crianças consideradas “normais” a escola vai ter que dar um jeito. Volto a pensar na situação de outros pais. Aqueles que tem filhos com alguma deficiência comprovada e que, por lei, tem direito a estudar em qualquer turma do ensino regular. Como as escolas podem ser inclusivas se tratam com diferença o garoto que escapa do padrão da turma? Em vez de incluir, elas o afastam, mandam-no para profissional especializado. Parece-me que as escolas não são mais especializadas em ensinar.

Sabem por que acho que meu filho não tem déficit de atenção nenhum? Porque quando ele senta lá na cadeirinha do Terraço Shopping prega os olhos no palco, brinca e grita para os personagens como se estivesse hipnotizado pela dramatização. Também porque ele lê sozinho um livro inteiro, se estivermos ao lado explicando uma ou outra dúvida. E ainda porque consegue contar uma história do início ao fim se estivermos prestando atenção a ele. Meu filho tem desenvolvimento cognitivo normal – e isso quem diz não sou eu, mas a psicopedagoga.

Confesso, estou decepcionada. Num mundo em que a tecnologia amplia possibilidades a escola restringe seu campo de atuação. Não ficarei surpresa se meu filho for convidado a fazer o segundo ano do ensino fundamental novamente em 2015. Eu, como mãe, estarei ao lado dele, fazendo o segundo ano junto. Quanto à escola, ela também será reprovada.

 

*Renata Gonzaga é jornalista

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Homem branco, de classe média, criado sob os ditames machistas, nunca me preocupei com os direitos das mulheres.

Até ser pai de três meninas.

Não me agrada pagar a educação delas e saber que no futuro elas poderão ganhar menos do que os colegas homens por causa de uma estupidez cultural que é quase uma cláusula trabalhista.

A tal meritocracia, defendida por quem é contra as cotas raciais nas universidades, deveria ser instrumento para igualar os sexos no mercado de trabalho. Pena que os homens que a defendem no primeiro caso se omitem no segundo.

Mas minha preocupação de pai com a questão dos direitos das mulheres não fica, claro, restrito ao campo do trabalho. Porque temo que uma delas seja vítima de violência de marido ou namorado, preparo-as para entender que a dignidade é a mãe do direito.

Desde já cultivo naquelas cabecinhas que não aceitem, de forma alguma, gritos e xingamentos de algum homem, seja ele quem for, tenham por ele amor, paixão ou qualquer outra espécie de atração ou sentimento. A mulher que admite isso abre a porta para a violência física, e será, possivelmente, presa fácil do cínico arrependimento do homem.

A dignidade da mulher no casamento, namoro, noivado e afins certamente é um de seus principais direitos, e talvez passe pelo conceito que ela terá dessa relação. Procuro ser claro com minhas filhas: a felicidade de vocês não dependerá de marido ou espécies semelhantes. A mulher que tem essa consciência fica menos vulnerável à agressão física e psicológica, e não aceitará como normal toda sorte de humilhação.

Essa coisa de se preocupar com direito das mulheres me faz prepará-las para não serem ‘mulherzinhas’Quero minhas filhas ‘mulher-macho’, aquela que enfrenta a vida de frente sem homem de escudo, pronta a mandar às favas qualquer um que lhe ultraje a dignidade, seja nos campos material, sentimental ou psicológico.

Alguns podem chamar isso de consciência. E até é. Mas é, antes de tudo, amor de pai.

*Publicado em 18/7/2012

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