André Giusti - foto: Luana Lleras
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Um dos paradigmas que mais oprime o ser humano, especialmente o homem no sentido masculino, é o de que chorar significa fraqueza.

Se fosse possível contabilizar, é possível que víssemos o quanto, ao longo da história, essa postura equivocada da sociedade provocou de câncer, infarto, derrame, alcoolismo, dependência das drogas e suicídio.

Mesmo com todo reconhecimento conquistado pela psicanálise e psicologia no último século, a desconfiança em relação à personalidade de quem verte lágrimas parece não ter abandonado o imaginário social. Vide as críticas que os jogadores da seleção sofreram na Copa, e isso bem antes da chinelada da Alemanha.

Alguns conceitos difundidos nas últimas décadas sobre liderança e gestão me parecem também ter posto lenha numa fogueira que para o bem da sanidade mental da espécie deveria estar é se abrandando. O melhor líder é o que não fraqueja? Ou o que se mostra falho como toda pessoa?

Não é chorar por tudo, mas nunca chorar pode ser o caminho mais breve para a loucura, e não digo a loucura sã dos artistas e dos de bem com a vida, mas a loucura que leva às trevas da alma.

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Ninguém precisa ver, e, dependendo de quem esteja perto, é melhor que não veja mesmo, mas no silêncio do quarto, na casa vazia enquanto os outros não voltam, debaixo do chuveiro aberto que abafará os soluços, chore mesmo, amiga, amigo, por amor, morte, traição, decepção, demissão.

Certamente as lágrimas não vão trazer o desfecho, a solução do problema ou livrá-lo do drama numa passe de mágica, mas dentro do peito o coração despedaçado ficará ao menos um pouco mais leve. E, desculpe-me a obviedade, tudo que é mais leve é mais fácil de carregar.

Outra coisa: não se force a ter esperança, não se desespere se procurá-la dentro de si e ela não responder de imediato. A exemplo do amor, esperança não se encontra em prateleiras.

Há horas em que parece mesmo que todas as portas estão cerradas, todas as luzes apagadas e você nem desconfia de onde esteja o interruptor mais próximo.

Pois a esperança virá quando você menos espera. Quem sabe depois de você chorar a noite inteira, se for preciso?

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1. Se pra quem tá bem final de domingo já é uma bosta, imagina pra quem tá fodido.

2. Você não precisa de motivo nenhum pra lembrar da pessoa, mas a porra do acaso ainda te dá mais uns 40.

conversa

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A Revista Mallarmargens publica três poemas meus que fazem parte do livro Os filmes em que morremos de amor, ainda inédito.

Boa leitura!

http://www.mallarmargens.com/2014/07/3-poemas-de-andre-giusti.html

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Olhem os carros que carregam campanha desses dois candidatos a deputado em Brasília. Será que eles vão defender o interesse de quem anda de ônibus? Acho que não, hein?

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A recente visita que fiz ao Centro de Ensino Fundamental da Vila Planalto, em Brasília, para uma palestra sobre literatura, me permitiu comprovar duas coisas.

A primeira é que a burocracia, com sua vaidade e indolência, chega a ser inimiga da racionalidade.

Desde o início do ano, alguns móveis velhos e destruídos estão acumulados no fundo da escola. É lixo, não há outra definição para o amontoado de ferro e madeira de fórmica sem qualquer utilidade para um país que precisa com uma urgência de séculos investir no ensino básico.

Mas por que então não se recolhe toda aquela tralha inútil e se dá a ela o fim lógico? É porque se trata de patrimônio, e como tal necessita de regras até mesmo para deixar de existir, o que, aliás, é compreensível.

Mas qualquer um que tenha passado um mínimo de tempo no serviço público é capaz de ao menos imaginar alguns motivos para se emperrar a tarefa simples de jogar no lixo o que já não presta mais.

É bem possível que dona burocracia esteja refém de seus filhotes vaidosos, que, por preguiça funcional ou pequenez de seus cargos e de suas almas, estejam protelando ao máximo uma simples assinatura ou um carimbo banal, porque isso lhe traz uma idiota sensação de poder que ameniza suas frustrações pessoais.

A minha outra confirmação diz respeito a essa necessidade de ter e essa visão descartável do consumo que escraviza a cada ano mais a classe média brasileira, sempre inquieta com seus smartphones ultrapassados e seus televisores que não possuem as polegadas necessárias.

Nesta escola há dois irmãos gêmeos, que nos últimos dias frios em Brasília não têm aparecido juntos na aula. Um dia, vai um; outro dia, vai outro. Intrigada, a diretora procurou a mãe dos dois para saber o motivo. É que só há um casaco para os dois, e assim eles fazem revezamento para usá-lo. Vai à escola quem estiver no dia de usar o casaco.

Simples como jogar fora o que é lixo.

Moveis escolares

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Hoje é Dia do Escritor.

Dia disso e dia daquilo sempre me despertaram o enfado. Todos os dias são de ser o que se é e fazer o que se ama, ou o que se tem para fazer para ganhar a vida. Somos mulher todos os dias, mãe e pai idem, pedreiro e padeiro de segunda a domingo, da manhã até a noite.

Mas vá lá, me resolvi por algumas palavras no dia de quem vive delas.

Há de se ter técnica literária, mas para escrever, você tem que sangrar. Se não sangrar, você está sendo falso, está enganando o leitor.

Um texto tem que ter sangue e carótida e jugular pulsante para que ele corra.

Um texto tem que ser de carne e osso.

Senão será  isopor.

sangue

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Essa história de um grande jornal ter matado o Suassuna antes da hora me lembrou duas histórias de redação.

A primeira aconteceu na Rádio Globo do Rio de Janeiro.

Boato de que gente famosa morreu é algo corriqueiro nas redações. Um desses foi sobre a cantora Sandra de Sá, à época apenas Sandra Sá.

A informação de que ela havia batido a cassuleta chegou e ninguém conseguia confirmar.

Ermelinda Rita, ao lado de Ricardo Ferreira, a melhor apuradora com quem trabalhei, foi prática: ligou pra casa da cantora. Caiu na secretária eletrônica, mas ela não se fez de rogada. “Ô Sandra, é o seguinte, aqui é da Rádio Globo é tá o maior papo de que você morreu. Liga pra gente.” Não deu cinco minutos e o telefone tocou, do outro lado o jeito esculachado: “Minha filha, que porra é essa de que eu morri?”.

A outra foi na saudosa JB AM. Fim de domingo, começa o zum zum zum de que um ministro – não lembro qual – abraçara o Zé Maria. Antônio Ribeiro, um dos meus mestres em reportagem de rádio, fez a mesma coisa: “Ministro, desculpa a hora, mas há um boato de que o senhor morreu…”. Rápida pausa antes da resposta: “Bem, parece que não, né, meu filho?”

Como em tudo na vida, às vezes no jornalismo é preciso fazer o óbvio e até mesmo passar pelo ridículo.

Ridículo

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Começam a fazer algum sucesso em Brasília as placas de automóveis com as letras formando a palavra PAZ.

Sem cumprir a contento sua função de educador do trânsito, o Detran do Distrito Federal lançou mão dessa jogada de marketing fácil: dez mil carros novos estão sendo emplacados com a palavra PAZ. A ideia é conscientizar as pessoas e reduzir o absurdo número de mortes em acidentes de trânsito, que no ano passado abreviaram a vida de mais de 350 pessoas na capital do país e arredores.

É de ser ter coragem para dirigir um carro emplacado com essa combinação de letras. Paz é tudo que quase todos nós dizemos querer, mas que quase ninguém age verdadeiramente no sentido de consegui-la, seja a pé, de carro, moto, seja sem sair de casa.

Dirigir um carro emplacado com PAZ é estar permanentemente vigilante para com os nossos piores e mais enfezados demônios, aqueles que adoram mostrar a cara ao mundo especialmente quando estamos ao volante.

Há de ser ter muito controle sobre eles.

Eu, por exemplo, não me garanto.

Placas de paz

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