André Giusti - foto: Luana Lleras
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Bikes

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Meu Beatle preferido sempre foi John Lennon.

Também pela música (o mais rockeiro dos quatro), mas muito mais pelo comportamento. John foi a personalidade da banda. Sem seu jeito debochado e sua atitude de enfrentamento, o pensamento do mundo talvez não tivesse evoluído tanto nos últimos anos.

Mas isso não significa não amar George e Ringo.

Isso não significa não amar Paul, que, reconheço, é o melhor compositor entre eles.

Quem foi ontem ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, viu um artista muito, mas muito longe mesmo de qualquer sinal de decadência. E isso após mais de meio século de carreira. E isso aos 72 anos de idade. Em alguns momentos, pensei que estava ouvindo a música diretamente de um dos CDs dos Beatles ou do Wings, tal a perfeição como ele canta, exatamente como há 40, 50 anos atrás.

Paul McCartney não tem apenas o domínio do palco e do público. Ele tem o domínio pleno sobre a música. Poucos músicos parecem ter tanta intimidade com ela – a música – como ele tem.

Ontem, John, saí do show pensando que, se por acaso havia na humanidade alguma dúvida, não há mais: você, em vida, teve, definitivamente, um parceiro a sua altura.

Lennon-and-McCartney-3

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Subestação de luz Asa Norte - Brasília

Subestação de luz
Asa Norte – Brasília

 

 

 

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c/ Sérgio Maciel

Meu amigo prepara a pequena câmera digital amadora e a pousa no tripé, que apesar da aparência frágil, tem boa sustentação, mesmo fincado na brita do estacionamento do Estádio Mané Garrincha.

Dos cultuados anos 80 à segunda década deste século de revolução tecnológica, são 31 anos de amizade. Muita gente, nesse país e mundo de tragédias e barbáries, não chega a soprar tantas velas no bolo.

Apesar desse tempo todo, é a primeira vez que vem a Brasília, e esta será nossa primeira foto na cidade.

Ele ajeita com preciosismo tanto a câmera quanto o tripé, e mesmo com o equipamento pronto para disparar, ainda checa um último detalhe.

- Vem logo, caralho, senão tu não sai na foto! – digo alto, ao que ele responde com uma corridinha em minha direção, ainda ágil feito um garoto, apesar dos 47 anos.

Abrimos os sorrisos e assim ficamos por aqueles segundos que parecem eternos, antes que a foto seja batida. Ouvido o clique da máquina, nos desfazemos da pose, dizendo as mesmas barbaridades que dizíamos um ao outro quando tínhamos 15 anos.

Ele pega a câmera e faz ar de surpresa.

- Ih, cacete! Sei lá o quê eu fiz que ela bateu uma porrada de foto da gente andando…- e ele me mostra a sequência de nós dois lado a lado, dando passos à frente, braços jogados, sorrisos naturais, jeito espontâneo. O que não foi programado é muito melhor do que a foto em que cruzamos os braços e prendemos a respiração.

- Parece foto de capa de disco…- ele diz me mostrando uma em especial, em que nossos sorrisos parecem mais sinceros, levando a crer que a vida não precisa mesmo de muita coisa para valer a pena.

Talvez precise, basicamente, ser verdadeira e autêntica, sem fingimento ou poses forçadas, feito alguém que aparece bem numa foto sem saber que foi fotografado.

Eu e sérgio efeito

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Um dia,

prometo,

eu ponho a cabeça no lugar

e conto pro mundo inteiro

os benefícios físicos e mentais

de surtar de vez em quando.

SURTANDO

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Domingo, 16/11

Nuvens 1

Nuvens 2

Nuvens 3

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Meu 6º livro já entrou na gráfica. Chama-se AS ESTRANHAS RÉGUAS DO TEMPO.

O lançamento está previsto para dezembro, pela editora Multifoco, do Rio.

Ele reúne pequenas crônicas sobre comportamento que escrevi aqui para o blog no período 2009 – 2014.

No gênero crônica, é meu livro de estreia.

Por enquanto, curtam a capa.

Mas já já vem o resto, ok?

Capa As Estranhas Réguas do Tempo foto

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só vale a pena

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Suco

A julgar pelas informações do rótulo dessa garrafa de suco de laranja, a indústria brasileira é fantástica, quiçá uma das melhores do mundo.

Embora não leve conservantes, a bebida tem validade até fevereiro do ano que vem, uma capacidade de conservação que, ao que me parece, nem a natureza, inventora da fruta, possui, já que uma laranja apodrece em uma semana se a deixarmos esquecida na cozinha.

Mas como sei que em sua quase totalidade o empresariado brasileiro é honrado, prima pela conduta ética, pela informação verdadeira e pelo respeito ao consumidor, abro a embalagem e bebo seguro de que estou engolindo suco puro, sem química.

E quando penso que o Estado brasileiro fiscaliza a indústria sempre com retidão, integridade, acuidade, eficiência e eficácia, e com firmeza totalmente incorruptível, aí que saboreio mesmo, com gosto, e vou dormir tranquilo feito um bebê inocente do mundo.

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Este fim de semana tive a oportunidade de assistir a um espetáculo do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias. Os cerca de 50 minutos de apresentação na Caixa Cultural, aqui em Brasília, acabaram sendo a melhor parte de um fim de semana bem divertido e movimentado com minhas pequenas.

O grupo existe há 16 anos, fazendo exatamente isso que o nome diz: contar histórias. Mas neste caso, esta arte milenar de encantar as crianças ( e também os adultos, pois eu ri à beça) é ungida de literatura, música e teatro. Os cenários são costurados em panos postos no chão do palco, à moda de tapetes. Está, portanto, explicado o nome.

Com talento acurado, Os Tapetes levam ao público histórias de autores do naipe de Luiz Câmara Cascudo, só para deixar como exemplo o que vi ontem.

A apresentação foi de graça, o que é sempre bom quando se tem que fazer programa com os filhos. Levando-se em conta a qualidade do espetáculo, o custo benefício fica bem interessante e torna o programa muito mais recomendável do que filmes como Festa no Céu, que é até “legalzinho”, mas que não acrescenta nada além da surrada moral do cinema estadunidense.

A temporada em Brasília terminou neste domingo, 9, e no site do grupo ( www.tapetescontadores.com.br ) não há informação sobre onde os tapetes serão estendidos agora.

Mas se esses tapetes passarem pela sua cidade, fica a dica: aconchegue neles os pés da sua imaginação.

Tapetes

 

 

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