André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

fumace

A infância é uma das fases da vida mais cercada de símbolos materiais que a representam. Todos temos na lembrança uma tampinha de refrigerante, um álbum de figurinhas, a boneca da Estrela ou o carrinho de autorama que nos remetem aos primeiros anos.

No meu caso, a estes acrescento o carro do fumacê. Para quem não está ligando o santo ao milagre explico que é um pequeno caminhão ou pick up com uma espécie de canhão na carroceria,   que passa pelas ruas borrifando remédio para matar mosquitos.

Reside nele uma das principais lembranças dos verões cariocas de minha meninice: o barulho do equipamento lá fora, passando pela rua do subúrbio carioca e, instantes depois, o cheiro enjoativo do inseticida entrando pela casa. Aliás, a recomendação era que as pessoas deixassem as janelas abertas justamente para que o remédio entrasse e desse cabo da mosquitada. Estranha configuração a da minha memória de verão: calor, praia, picolé da Kibon, banhos de mangueira e…fumacê jogando inseticida.

Eis que hoje, às 5h30, o que ouço romper a quietude do fim da madrugada no Planalto Central, 1.200 km distante do subúrbio que ainda me dói a alma? O bizzzzzzzzzzzzzzzzzz irritante seguido em menos de dois minutos pelo cheirinho de inseticida. Mantive abertas as janelas, que assim já estavam por causa do calor que também assola Brasília. Provavelmente, o alvo é o mosquito da dengue. O cheiro, e mesmo o barulho, estão mais fracos do que há 40 anos, ao contrário da minha memória, ainda tão intensa.

Não sei se o fumacê resolve mesmo para matar mosquito, mas serve bem pra dar saudade em homem grande que ainda espera ter muita vida pela frente.

Comentários (0)

Foto: Alexander Klein/AFP

Foto: Alexander Klein/AFP

Leio no portal G1 que o francês de origem tunisiana Georges Wolinski foi um dos mais importantes cartunistas do século 20.

Nos traços de gente como Jaguar e Ziraldo, segundo a turma do desenho, encontramos a influência de Wolinski, morto hoje em Paris, no atentado à redação da revista Charlie Hebdo.

Mas de acordo com as outras informações, a atuação do cartunista não se limitou a se debruçar na prancha sobre uma folha em branco com um lápis ou lapiseira na mão. Foi também um dos mais importantes ativistas do lendário maio de 68, quando estudantes tomaram a cidade luz protestando e pedindo reformas na educação.

Ora, se partirmos do princípio de que o conhecimento liberta, lutar por melhorias na educação é, em última instância, lutar também pela liberdade, e isso, diga-se de passagem, fazia-se e muito em maio de 68, inclusive no Brasil.

E essa palavra – liberdade – permanece incomodando muita gente no mundo inteiro, e sem querer ser repetitivo, inclusive no Brasil.

É bem mais triste que irônico o fato de que Wolinski foi provavelmente vítima da estupidez dos que, como há quase 47 anos, continuam sem aceitar o direito que o semelhante possui de dizer o que pensa e o que sente.

 

 

Comentários (0)

Pontão do Lago Sul, Brasília, 3.1.15, 15h

Pontão do Lago Sul, Brasília, 3.1.15, 15h

 

Pontão do Lago Sul, Brasília, 3.1.15, 15h

Pontão do Lago Sul, Brasília, 3.1.15, 15h

Pontão do Lago Sul, Brasília, 3.1.15, 15h

Pontão do Lago Sul, Brasília, 3.1.15, 15h

 

 

 

Comentários (0)

BR 040 - Cristalina- GO

BR 040 – Cristalina- GO

Comentários (0)

 

Fotopoema

Comentários (0)

DSC_0118[1]

Comentários (0)

1. Mais uma vez a esperança de que enfim renasceremos no ano que vem.

2. Na verdade o ano novo pode muito bem começar no dia 19 de julho, às 3 da tarde de uma segunda-feira, pouco depois de voltarmos do almoço.

champagne

Comentários (0)

2516

Comentários (0)

Entro na livraria do Centro Cultural Banco do Brasil, lugar que, em tese, é frequentado pela inteligentzia das cidades onde há CCBB. Brasília é uma delas.

Pergunto se há algum exemplar de Robinson Crusoé, e a menina que me atende pede, teclando com agilidade no terminal de consulta, que eu repita o nome do autor. Fiquei sem entender, pois eu não havia dito o nome do autor.

Ela insiste: o nome do autor, senhor, é Robinson de quê mesmo?

Sinto um aperto no peito tão grande, uma imensa pena daquela menina que veste o uniforme bem transadinho da livraria moderninha e chiquezinha, pretensamente cult, onde, se a coisa funcionasse bem mesmo, a vendedora deveria olhar nos olhos do cliente e com o mínimo de segurança discorrer  sobre clássicos, lançamentos e autores.

Ao mesmo tempo, sou tomado mais uma vez por uma imensa vontade de mandar o Brasil ir se foder, com seus faustões, lucianos hucks e Brunos & Marrones e afins.

Mas engulo a seco, explicando à menina que Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, é um dos principais livros escritos em todos os tempos para o público infanto-juvenil.

É importante que nos últimos dez anos um Brasil historicamente alijado do ensino, do conhecimento e da formação profissional esteja tendo oportunidades de entrar numa universidade e vislumbrar um futuro melhor do que o que antes lhe era reservado apenas em casas de famílias ou canteiros de obra. Da mesma forma é inegável o valor de termos quase 100% das crianças de sete a 14 anos na escola. Mas é preciso ir além de números em salas de aula e alcançarmos, finalmente, a consciência de que tão importante quanto é o conteúdo passado a esses alunos,  pois mais do que estatísticas, o que realmente  melhora uma sociedade é a capacidade de pensar e agir com base no conhecimento.

Robinson Crusoé passou 28 anos numa ilha

Robinson Crusoé passou 28 anos numa ilha

Comentários (0)

Para que a tarde chuvosa não encubra a lembrança do céu de Brasília.

Asa Norte

Asa Norte

Esplanada dos Ministérios

Esplanada dos Ministérios

 

Comentários (0)