André Giusti - foto: Luana Lleras
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Bruna Fantti/Folhapress

Bruna Fantti/Folhapress

É difícil não pensar que neste carro, no lugar daqueles cinco jovens, poderiam estar outras pessoas: as que já foram capas das revistas semanais como exemplos a serem seguidos nos diversos campos em que atuam, mas que se descobriu que seus lugares, no noticiário, são realmente as páginas policiais. Ao contrário dos cinco jovens negros e pobres, contra os quais não se levanta uma prova que os incrimine, apenas a que os inocenta: estavam indo lanchar para comemorar o aumento de salário de um deles. Salário de frentista.

Não vou citar nomes, não por medo de processo. É que não caberiam no texto e muito menos no carro.

Pensar que os verdadeiros algozes da vida nacional é quem poderiam estar naquele humilde Fiat Pálio na noite escura da periferia não é apenas um absurdo.

É ceder, por exemplo, à pena de morte não oficializada, um dos muitos falsos “encantos” da estupidez humana em nosso país, que historicamente é aplicada, por exemplo, apenas aos frentistas inocentes que gostam de passear com os amigos.

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Desde que li essa reportagem hoje de manhã, estou me perguntando, de estômago revirado, pra quê nosso dinheiro paga, por meio de impostos, gente como esta, que faz concurso público para ser bandido com a farda de agente do estado.

Invariavelmente as vítimas são negros e humildes, do subúrbio.

Desta vez, não deu nem para arranjar, às pressas, aquela versão padrão, que todos que foram repórteres de Polícia conhecem: a de que os mortos tinham envolvimento com o tráfico, o que já manchou a memória de tanta gente que morreu inocente.

Alguma hipótese dessa atrocidade ser cometida em Ipanema ou Leblon contra ocupantes de um BMW ou de um Audi?

Os reaças, e que acham direitos humanos coisa de mulherzinha ou de homem sensível demais, vão escarnecer de mim.

Eu mantenho meu pensamento:

O Brasil é um país segregacionista, racista, violento e discriminatório em sua violência.

http://extra.globo.com/casos-de-policia/cinco-jovens-sao-fuzilados-dentro-de-carro-na-zona-norte-do-rio-18174696.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_content=fuzilados&utm_campaign=Extra

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Clarice Madeira Giusti, 8 anos

Clarice Madeira Giusti, 8 anos

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1 – Fila de uns quinhentos metros para entrar no estacionamento do shopping, em Brasília, por causa da tal black fryday. Realmente, essa sociedade moderna me deprime.

maryjose20.blogspot.com

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2 – Na prova de uma das minhas filhas, havia uma questão perguntando: o que é natal pra você? Ela respondeu: paz, solidariedade, amor, carinho, fraternidade. Não escreveu presente, comilança, nem papai noel. Não é sempre não, mas há dias em que eu acho que estou mesmo fazendo a coisa certa como pai.

3 – Aliás, em uns dias dá mais vontade de viver do que em outros.

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www.cursodavida.com.br

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Quando detinha poder, aquele político influente na cidade, e durante algum tempo relativamente conhecido em nível nacional, era assediado em todos os lugares aonde ia.

Chegar perto dele era tarefa para os ombros e os braços.

Explico.

Era preciso usá-los para empurrar o cordão de puxa sacos e pedintes de favores e benesses.

Não largava o celular, passava a metade do tempo ocupado com seus pares na política. A outra metade falando com os jornalistas.

Nem seus assessores mais diretos conseguiam dele a atenção que queriam e precisavam para resolver pendências, pedidos, conchavos, puxasaquismos.

Uma vez, tendo próximas as eleições e vendo que seria tarefa árdua bater o concorrente ao Senado, disse a um dos assessores: “Em porta de político sem mandato, nem o vento bate”.

Não venceu as eleições.

No dia seguinte, o assédio sobre ele já era menor, e a cada dia foi se fazendo menos intenso. Praticantes de conchavos e bajuladores foram logo procurar quem os satisfizesse os interesses nos próximos anos.

Passado mais de um ano, num evento qualquer num meio de semana que deu certo movimento à noite na cidade, o agora ex-assessor conversava numa roda de conhecidos, quando sentiu lhe tocarem por trás os ombros.

Era o outrora dono do poder e da influência.

Conversaram bem alguns minutos, um querendo saber o que andava fazendo o outro.

O político mantinha a simpatia de quando pedia votos e fazia promessas. A conversa foi interrompida apenas duas vezes, para um cumprimento rápido de quem ainda nutria certo reconhecimento pelos feitos nos tempos de poderoso.

No fim da noite, terminando o evento, o político foi embora sozinho, balançando as chaves do carro.

E naquela noite não ventava.

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www.umamensagemdevida.com.br

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A alta funcionária do banco é conhecida pela boa vontade com todos. É companheira, amiga, solidária. Nem precisa conhecer a pessoa: se souber que alguém precisa de ajuda, dá um jeito de parar o que está fazendo e sair em socorro. É meio aquele tipo que fica com frio, mas dá o casaco pra quem ela acha que precisa mais.

Também trabalha demais no banco, essa máquina de moer carne e triturar ossos humanos.

Outro dia, num exame de rotina, descobriu um problema no coração.

- Parece que a senhora teve, inclusive, um enfarte, é o que o exame mostra.

Seu queixo foi no chão. Mas como, se não havia sentido nada? Nunca nada no peito, em momento algum, tirando as ocasionais angústias de viver.

- Acontece às vezes. A pessoa enfarta e nem sente… – o médico observou.

Quando contou pros colegas do trabalho, o espanto foi igual. Uma amiga virou pro chefe:

- Ô fulano, beltrana teve enfarte!

O chefe, pose de capataz de fazenda do século 19 e figura exponencial na atividade de moer carne e triturar ossos de pessoas, riu, com aquele sarcasmo que nos dão ímpetos de murros no nariz.

- Eu já sabia que o problema dela é coração. Coração mole.

O que ele não sabe, nem desconfia, é que o problema dele, do estado islâmico, dos franceses na Síria, dos americanos no Iraque, e dos que abandonam crianças, maltratam velhos e torturam animais é justamente o oposto: coração de pedra, pedra fria, áspera e pontiaguda.

E esse problema sim, esse é nocivo à humanidade.

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Bandeira do Quenia

Nada contra quem postou a bandeira da França. Tudo a favor quando o protesto é contra a estupidez e a favor da vida e da paz.

Mas penso que o mundo atual, com suas barbáries expostas em segundos na velocidade de tantos e tantos megabites, nos oferece oportunidade diária de vigiarmos nossa cultura classe média branca, universitária, cinco, seis refeições por dia e coisa e tal. E de tentarmos conduzir nossa solidariedade – que sim, existe – para todos os lugares onde o fanatismo e a crueldade ameaçam a vida.

A gente não faz por querer, nem é consciente, mas vamos definitivamente vigiar para que a vida não pareça mais valiosa na França do que na Ucrânia; na Europa, mais do que na África; Nos EUA, mais do que no Oriente Médio; No Leblon, mais do que na Baixada; No Lago Sul, mais do que em Ceilândia; No Sul/Sudeste, mais do que no Norte/Nordeste; no Rio/São Paulo/Minas mais do que no Maranhão/Piauí/Pará.

É hipocrisia dizer que isso não existe, mas é coragem assumir e combater nossa displicência insensível quando a carne não tem a cor da nossa, quando a criança não poderia ser colega dos nossos filhos, e por aí vai. Toda carne é carne. Toda vida é vida, em todo lugar.

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1 – No supermercado Oba, da 212 sul, em Brasília, os vidros de azeite de uma determinada marca estavam sem preço. Olhando melhor, vi que haviam arrancado as etiquetas e uma moça que trabalha na loja confirmou a minha suspeita: elas foram tiradas para que sejam colocadas outras etiquetas, com preços novos e reajustados. Ou seja, o mercado comprou aquele estoque por um preço e vai revender por outro, maior. Cada um colabora do jeito que pode para aumentar a inflação.

www.revistaqualimovel.com.br

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2 – O povo em Governador Valadares sem água pra beber e aqui em Brasília gente lavando calçada com mangueira. É a cara dessa ilha da fantasia onde moro.

3 – Quem mata em nome de Deus não acredita nele não. Seja qual Deus for.

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noticias.uol.com.br

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Quando eu era pequeno, usava-se eloquência para se falar Vale do Rio Doce. Era como se referir a uma entidade acima do bem e do mal.

Na minha infância, escarafunchar as montanhas de Minas e do resto do país nos era vendido como progresso. “Tudo isso vai virar aço, pra virar automóvel”, meu pai apontava com entusiasmo os trens que passavam abarrotados de minério.

Nos anos 90, quando deram a empresa em troca de uns cachos de banana, a promessa era de que a Vale, que tirou do nome o rio que lhe deu tanto, se tornaria modelo de gestão e eficiência. Como se ela nunca houvesse dado lucro milionário. Mas naquela época, era preciso fazer com que o país acreditasse que tudo o que era da iniciativa privada era ótimo e funcionava. E tudo o que era do estado era ineficiente, não prestava.

Nos anos 2 mil, foi de bom tom pendurar na tal gestão eficiente ações em prol do meio ambiente. Batizaram isso de Compensação Ambiental, e deram de criar parque aqui, parque acolá, para ver se disfarçava a sucata em que a empresa continuava transformando as montanhas que ela cavucava em busca do progresso, nome cínico dado ao lucro desmedido.

Acho que naquele mar de lama não estão submersos apenas quase trinta vidas humanas, outras tantas animais, um povoado inteiro e o que ainda restava de saúde a um rio e a todo um ecossistema em volta.

Foi-se, finalmente, a mítica eficiência gerencial, administrativa ou seja lá que nome tenha, incapaz até mesmo de instalar uma simples sirene para avisar que as barragens haviam rompido.

A Vale era uma ilusão.

Uma grande ilusão em um país que a cada dia se desilude mais e mais consigo mesmo.

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Rodrigo Vargas / Folhapress

Rodrigo Vargas / Folhapress

O mirante da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, está por um fio. Fecharam o principal ponto de um dos lugares mais bonitos do país.

Motivo: falta de segurança. A erosão tá comendo tudo rapidinho pelas beiradas.

É que puseram tanto carro, ônibus e caminhão lotados de gente pra entrar lá, que a vegetação não está aguentando mais e a natureza começou a dar a resposta aos desenvolvimentistas que erguem a hipócrita bandeira do desenvolvimento e da geração de renda. Desde que o desenvolvimento seja do bolso deles e a renda seja, claro, a que vai pra conta bancária deles.

O poder público chegou latindo alto. Proibiu farofa no lugar e mandou o proprietário (a área é particular, eu nem sabia) apresentar, em dez dias, um plano de recuperação da área degradada. Porque não falou grosso antes, mandando que a coisa fosse bem feita, desenvolvendo o turismo sem destruir a natureza?

Em Minas, já se dá como certo que o lixo das duas barragens (pra enganar a gente, eles usam o termo técnico e chamam lixo de rejeito de mineração, com o conluio da imprensa) vai contaminar, além da água – o que já está acontecendo -, os pássaros, as matas…

Pra que tantas praias paradisíacas, matas exuberantes, rios estupendos se a gente não sabe cuidar? A gente que falo é sociedade no geral, incluindo povo, estado e governo.

Se dessem um paízinho sem graça e sem viço pra gente, me pareceria de bom tamanho.

Lembro de uma frase que eu ouvia na infância quando o presente era chinfrim , e a pessoa que ia receber também não estava muito acima: pra quem é tá bom.

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