André Giusti - foto: Luana Lleras
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www.avidacomesclerosemultipla.com.br

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Acho que ele se chama Juvenal, embora seu nome possa ser Quirino, não tenho certeza.

Eu o conheço, passo sempre por ele, mas ele não sabe quem eu sou. É que sempre passo por ali de bicicleta, nunca de carro. Ou seja, não estaciono no ponto dele.

Juvenal – ou Quirino – é guardador, ou flanelinha, dependendo da cidade de quem me lê. Como ouvi de um deles certo dia, ele “mexe com o ramo de estacionamento”.

Hoje passei com minha magrela de novo por ele. Eu vinha pelo canto da rua, e tentava enxergar, na beira do meio fio, entre um carro e outro estacionado, uma rampinha em que eu pudesse subir, pegar a calçada e de lá a ciclovia.

Mesmo ainda de longe, o “dono do ponto” captou minha aflição, e logo foi apontando uma brecha entre os carros em que eu pudesse pegar uma rampinha e seguir em paz pedalando. “Aqui, ó! Entra aqui, ó!”, indicou rápido onde eu deveria virar, antes que eu passasse do local.

Virei e segui em paz pedalando, pensando que Juvenal, ou Quirino, é um cara legal, do tipo que percebe a necessidade do próximo, e o melhor: se importa com ela.

Mesmo que não se dê conta, já entendeu que para ser solidário não é preciso, necessariamente, embarcar numa força humanitária para combater a fome na África.

Dá pra ajudar o semelhante entre um motorista e outro que liberam uma gorjeta.

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Um dos melhores rifis de guitarra de toda a história do Rock`n Roll. Valeu, David! Pega teu disco voador, que os homens das estrelas estão te esperando.

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café

Vale um viva a iniciativa dessa franquia de cafeterias de resgatar o bom e velho brasileiríssimo café coado, dando ao freguês uma alternativa à ditadura do café expresso, que na maioria das vezes é servido demasiadamente quente e ralo, uma caricatura mal feita do original italiano.

Em tempo: não estou ganhando nada pela propaganda. Nem um cafezinho sequer.

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www.marinelacarniato.com

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Não adianta ser – ou se dizer – progressista e não ter caráter, hombridade.

Pouco vale defender as minorias, postar contra o machismo, o racismo e atacar o Bolsonaro, se você faz intriga, se você apunhala por trás os que convivem contigo, seja em que esfera for.

Não adianta ser contra o impeachment, por exemplo, e puxar o tapete do colega de trabalho, o que é uma espécie de golpe de estado no âmbito privado.

Uma postura tida como socialmente progressista requer moral (o que você faz sem ninguém ver) e não apenas ética (o que você faz quando todo mundo está vendo).

Em último caso, vale mais a pena conviver com um conservador, um reacionário, mas que tenha caráter.

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www.postais.net

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Existem coisas que parecem à toa mas que são maiores e mais importantes que coisas que parecem grandes e importantes. Não sei se você entendeu, mas é isso aí mesmo.

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www.youtube.com

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Meu grande Marcelo Bebiano me diz que no Rio está fazendo clima de montanha.

Ser carioca é mais do que nascer no Rio, é um estado de espírito permanente.

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g1.globo.com

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Acho que com o passar do tempo essas festas de fim de ano vão perdendo o brilho e a graça.

Há um determinado momento da vida, que não sei precisar qual, em que começamos a ter dificuldade de respirar os tais ares de esperança trazidos pelo fim de ano.

Talvez sejam as perdas as responsáveis por isso.

Afinal, é muito pai e mãe que morre na vida da gente (às vezes, filhos também), é muito amigo querido há anos morando longe, é muito divórcio, muito namoro feliz que acabou de repente.

E por mais que haja reposição de peça (netos, novos amigos e amores) as perdas se acumulam e parece que passam o ano todo esperando para pesarem ainda mais em dezembro, no meio de tanta rua cheia, de tanta loja entupida, de tanta confraternização forçada, de tanta caridade feita como convenção e satisfação à sociedade.

Então, depois de uma certa idade, quando chega dezembro, no fundo o que a gente quer mesmo é que janeiro comece logo, despachando pra longe essa irritante obrigação de estarmos felizes e esperançosos.

Ps1: Essa caridade anual, com data marcada pra dezembro, também me cansa.

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caroldaemon.blogspot.com

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Há um momento na vida de um casal que acontece geralmente aos fins de semana e com frequência maior nestas festas de fim de ano.

É aquele momento maravilhoso em que os dois estão bebendo vinho (ou cerveja) na mesa e ela então se levanta falando “amor, vou na cozinha pegar a comida”.

Você, solicito, mas na verdade sem fazer qualquer movimento de se levantar, pergunta se ela quer ajuda, e ela responde “não, amor, pode ficar aí bebendo”.

É bom que não se enxergue aí qualquer machismo e muito menos submissão feminina.

Na frase condescendente dela, há uma entrelinha, mais clara que o que foi dito: “a louça é sua, querido”.

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Há algum tempo elas não eram publicadas no meu blog. Com a volta da chuva ao Planalto Central, elas agora passam o dia cruzando esse céu de Brasília, que não cabe em si mesmo de tão imenso. É só tirar um pouquinho a cabeça dos problemas, que certamente uma nuvem dessas vai te roubar os olhos e levar tua alma com ela.

Setor de Autarquias Federais Sul, 4/12, 19h26

Setor de Autarquias Federais Sul, 4/12, 19h26

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www.revistaovies.com

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Sou um cara nascido e criado no subúrbio carioca, reduto bem conservador e preconceituoso, embora a imagem fanfarrona propalada pelas novelas – e que realmente existe na vida real – leve a crer que não.

No subúrbio, brancos e negros convivem, mas não é incomum você ouvir que “fulano é um preto de alma branca”, com aquele tom atenuante, como se cor de pele fosse crime ou definisse caráter, hombridade.

Não tenho lembranças de, aonde nasci, um casamento entre um negro e uma branca, ou uma negra e um branco, ser tomado como fato totalmente comum. Sempre há alguma, ou várias caras de espanto, para não dizer viradas em expressões de mal disfarçada desaprovação.

Fora isso há sempre uns – ou muitos – se referindo de forma pejorativa ao “filho da desquitada”, ao neném posto no mundo “por aquela safadinha que deu antes do casamento” ou àquele “rapaz afeminado, aquela bichinha, que tanto desgosto dá ao pai”.

E isso não é uma particularidade do subúrbio do Rio de Janeiro. A discriminação, no Brasil, é como a própria beleza natural do país: abrange toda sua geografia.

Para quem ainda estranha tanta manifestação racista, homofóbica e machista na rede social, gostaria de lembrar que feici búqui e companhia apenas mostram com amplitude e em tempo real o que os nichos geográficos – tais como meu subúrbio – sempre guardaram em seus domínios.

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